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Política

América Latina é uma das apostas de Cuba

Marcelo Rech, especial de Havana

Para Rogelio Sierra Díaz, diretor de América Latina e Caribe do Ministério de Relações Exteriores de Cuba, a vontade política dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Raúl Castro, é responsável pelo alto nível das relações bilaterais e o fortalecimento das relações de Cuba com a América Latina.

Em novembro, Raúl Castro participou da primeira Cúpula América Latina e Caribe (CALC), e das cúpulas do Grupo do Rio e do Mercosul, em Salvador (BA), quando foi taxativo ao reafirmar o compromisso do país com a região.

Castro também foi enfático ao destacar que Cuba não reivindica nem espera mudanças na Organização dos Estados Americanos (OEA), de onde foi expulsa em 1962.

O comércio entre Brasil e Cuba passou de US$ 200 milhões para US$ 500 milhões desde 2003 e é favorável aos brasileiros em US$ 100 milhões.

A aproximação permitiu, por exemplo, que o Centro de Engenharia Genética de Cuba firmasse parceria com a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), no desenvolvimento de vacinas contra epidemias comuns na África.

Cuba também enxerga no Brasil um líder mundial na luta contra o embargo norte-americano à ilha. Sierra Diaz destaca a postura do ministro Celso Amorim para quem “o Brasil quer ser o primeiro sócio de Cuba e não apenas no comércio”.

Para Rogelio Díaz, “a CALC é um espaço que deve ser fortalecida e que tem o respaldo de toda a região. Trata-se de um mecanismo autônomo sem a ingerência de nações extracontinentais”.

Atualmente, Cuba mantém relações com 30 das 32 nações latino-americanas. Com a Costa Rica há apenas um relacionamento consular e com El Salvador, nada. O governo cubano espera restabelecer as relações diplomáticas com a posse de Mauricio Funes, eleito presidente salvadorenho em 15 de março.

A América Latina e o Caribe respondem por 40% de todo o comércio exterior de Cuba.

Em 2005, o país recebeu 25 chefes de Estado dessa região. Em 2007, foram 21 e no ano passado, 31. No mês de dezembro, foi realizada em Santiago de Cuba, a Cúpula Cuba-Caricom que recebeu 14 presidentes.

“São expressões de que os tempos são outros, os anos 70 ficaram para trás. Esse fluxo torna sem efeito a norma da OEA, que também é a expressão de uma política absurda e anacrônica dos Estados Unidos de impor o isolamento de Cuba. Quem está isolado na América Latina são os Estados Unidos”, afirmou Díaz.

O diplomata destacou que os latino-americanos há muito não respeitam as normas impostas por Washington. Na sua avaliação, “manter relações com Cuba é fortalecer a integração regional e a independência frente aos Estados Unidos”.

De acordo com o embaixador brasileiro em Havana, Bernardo Pericás, “a CALC formalizou a reinserção de Cuba na América Latina e o Brasil jogou um papel importante nesse contexto”.

Para o embaixador brasileiro, “Cuba sempre foi muito correta em suas relações com a América Latina e hoje apenas colhe os frutos de uma política externa séria e competente”.

Ele destacou que o presidente Raúl Castro não gosta de cúpulas e sequer havia ido às reuniões da Alba. “Mas fez questão de participar das reuniões em Salvador”, lembrou.

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