Relações Exteriores

Economia
01/02/2006
Política Externa
01/02/2006

Afeganistão

Amorim considera histórico esforço internacional pelo país

Celso Amorim

Excelências,

Presidente Hamid Karzai e Primeiro-Ministro Tony Blair,

Esta conferência confirma o apoio da comunidade internacional à construção
de um Afeganistão pacífico, democrático e próspero.

O caminho para a paz e a
reconstrução concebido em Bonn forneceu as diretrizes necessárias para
superar uma herança de estagnação social e econômica, violência política e
interferência externa.

O Presidente Karzai merece nosso reconhecimento pelo seu incansável
trabalho.

O Brasil apoiou com grande satisfação as quatro últimas resoluções do
Conselho de Segurança sobre o Afeganistão. A unidade de propósitos tem
conferido legitimidade à cooperação de diversos países para a solução dos
graves desafios do Afeganistão nos campos da segurança e do desenvolvimento.

O ”Pacto do Afeganistão” é um documento histórico, que poderá servir de
referência para futuras iniciativas na área de construção da paz.

As relações diplomáticas entre o Brasil e o Afeganistão foram plenamente
restabelecidas pelos Presidente Lula e Karzai em 2004.

Estamos prontos a oferecer nossa cooperação ao Afeganistão, principalmente
nas áreas de análise do comércio exterior, recenseamento populacional,
pesquisa agrícola, desminagem e assistência eleitoral.

O Brasil vem
implementando uma série de políticas e programas na área de direitos
humanos, como a promoção da igualdade de gênero e raça e o combate à fome e
à pobreza, cuja experiência estamos prontos a compartilhar.

As Nações Unidas assumiram corretamente um papel central na reconstrução do
Afeganistão, conferindo assim a legitimidade indispensável às iniciativas
internacionais no país.

Todos os componentes da assistência internacional ao
Afeganistão devem continuar a prestar contas por meio de relatórios
regulares apresentados ao Conselho de Segurança.

A construção da paz não é tarefa que se limita ao campo da segurança. A paz
apenas será sustentável se as circunstâncias locais e o ambiente regional
forem devidamente levados em conta.

A reconstrução institucional deve
caminhar de mãos dadas com o desenvolvimento econômico. Esse conceito é o
fulcro da recém-criada Comissão de Construção da Paz.

As experiências no Haiti, no Timor Leste e em muitos países africanos
mostram a importância de harmonizar-se a cooperação regional e a
multilateral.

De fato, nossas chances de sucesso só aumentarão se nossos
esforços forem verdadeiramente multilaterais e bem integrados ao contexto
regional. Cumprimentamos o Afeganistão pela disposição de envolver seus
vizinhos em um diálogo regional.

As estratégicas de combate aos narcóticos devem ser vistas como parte
integral dos esforços da comunidade internacional de reabilitação econômica
do Afeganistão.

Pressupõem assistência aos produtores agrícolas afegãos, de
forma a que desenvolvam cultivos alternativos que disponham de adequado
acesso a mercados.

A experiência política afegã desafia o falso paradigma do ”choque de
civilizações”. No Afeganistão de hoje, pessoas de várias origens estão-se
esforçando para trabalhar em conjunto por um futuro melhor e mais seguro.

A
comunidade internacional pagou um preço alto por haver negligenciado o
Afeganistão no passado. Por meio de uma cooperação internacional reforçada e
um diálogo político inclusivo, é preciso evitar que isso volte a acontecer.

Ainda restam muitos desafios. Continuaremos a apoiar o envolvimento das
Nações Unidas no Afeganistão.

O novo chefe da UNAMA, Tom Koenigs, é bastante
conhecido por sua contribuição aos esforços de estabilização na América
Central. Estamos certos de que imprimirá o mesmo espírito construtivo à sua
nova missão.

O Brasil está pronto a ampliar sua cooperação à medida que o Afeganistão
retoma sua posição como um centro de comércio, cultura e civilização.

Muito obrigado.

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