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08/02/2006
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08/02/2006

Programa Nuclear

Amorim discute situação do Irã com Condoleezza Rice

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, conversou nesta quarta-feira com a Secretária de Estado dos Estados Unidos, Condeoleezza Rice, sobre a polêmica em torno do programa nuclear iraniano.

Segundo Amorim, Rice garantiu que os Estados Unidos não tomarão nenhuma medida até 6 de março, quando a Agência Internacional de Energia Atômica [AIEA], deve voltar a discutir o tema.

De acordo com o chanceler brasileiro, esta posição está garantida, a não ser que ocorra algo excepcional, que não esteja previsto. “A expectativa é de que até lá possa haver gestos, mas os gestos têm que ser de ambas as partes. O que o Irã fizer, terá que ser levado em consideração”, afirmou Amorim, que está em Argel onde acompanha a comitiva do presidente Lula.

Depois que o Irã reafirmou que não pretende abrir mão do seu programa nuclear, as relações com os Estados Unidos ficaram ainda mais tensas. Na semana passada, o Conselho da AIEA, aprovou por 27 votos contra três e cinco abstenções, o encaminhamento de uma denúncia contra o Irã ao Conselho de Segurança da ONU.

O Brasil foi um dos 27 países que votou pelo encaminhamento da denúncia, mas defende uma saída diplomática para a crise. Argélia, África do Sul, Indonésia, Líbia e Bielorrússia, foram os países que se abstiveram. Cuba, Venezuela e Síria, votaram com o Irã.

Após a decisão, Teerã informou que proibirá as inspeções da ONU em suas instalações nucleares e que vai iniciar um amplo programa de enriquecimento de urânio.

Represália

Enquanto isso, o embaixador iraniano no Brasil, Seyed Jasar Hashemi, declarou em Brasília que quem votou contra o seu país, ’pagará por isso’. Ele afirmou que as conseqüências de um relatório negativo contra o Irã, poderá complicar a ordem da segurança nacional.

O embaixador garantiu que as represálias não envolverão força militar, mas sanções econômicas. Na opinião do diplomata, as inspenções realizadas pela AIEA foram muito mais profundas que as realizadas pela agência no Brasil.

Ele afirmou ainda que o Brasil não tinha por que votar contra o Irã, uma vez que o país vinha colaborando com a AIEA. “Demos sinais positivos por dois anos. Não há motivo parta desconfiança”, assegurou.

Para o Itamaraty, a posição brasileira externada na reunião do Conselho dad AIEA, vai abrir espaço para a recuperação da confiança da comunidade internacional no Irã.

No sábado, o ministério das Relações Exteriores emitiu nota exortando os envolvidos a não toamrem medidas que agravem a situação.

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