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Angola e a exploração de seus recursos

21 de setembro de 2010
por: InfoRel

Alexandre Addor



 



Desde o fim da guerra civil, Angola vem recebendo investimento pesado, principalmente na área petrolífera, desde empresas multinacionais, até Estados; sendo exemplo clássico a República Popular da China.



 



A magnitude da presença chinesa é tamanha em Angola, que ¼ da produção de petróleo angolano é exportado para a China (1).



 



No ano de 2004, as exportações angolanas para o país oriental totalizaram o valor de US$ 3.422.63 (2); representando 27,4% (3) do comércio entre África e China.



 



Entretanto, o envolvimento chinês é distinto, pois ele não se restringe somente à exploração dos recursos naturais angolanos; a potência asiática também ajuda Angola financeiramente.



 



O governo da China estabeleceu linhas de crédito para países africanos, sendo Luanda um dos principais a utilizá-las.



 



No ano de 2004, a China abriu uma linha de crédito no valor de US$ 2 bilhões para a manutenção das estradas de ferro, construção de estradas (severamente debilitadas durante os anos de guerra civil) e escritórios governamentais, além de linhas de fibra ótica e exploração de petróleo (4).



 



No ano de 2006, este mesmo crédito foi expandido em mais US$ 1 bilhão.



 



Além de ser uma quantia considerável e extremamente importante para a reconstrução de meios para escoar esta produção, ainda existiam facilidades como o pagamento em 17 anos, com 1,5% de juros, com a ressalva que num espaço de cinco anos, estes juros não seriam cobrados (5).



 



Tal aporte de dinheiro na economia angolana era de suma importância, ainda mais depois que as negociações entre Luanda e o Fundo Monetário Internacional (FMI) falharam, já que o último pedia pré-requisitos, como transparência nas contas governamentais; exigências as quais o governo angolano não aceitou.



 



Uma política sem reivindicações é exatamente como a China age no continente africano; uma abordagem bem realista, ainda mais com o governo angolano; já que as concessões dadas para a exploração de petróleo em seu território estão envoltas por falta de transparência.



 



Para exemplificar este quadro, basta dizer que a China adquiriu 40% das ações do Bloco 18 de petróleo, um dos mais lucrativos, senão o mais.



 



Estava incluso nesta proposta chinesa de US$ 1, 4 bilhões, um bônus para o governo de US$ 1,1 bilhão (6); que na verdade vinha a ser propina para que os chineses ganhassem a concessão.



 



A corrupção é um dos males da sociedade angolana e este transparece no setor mais profícuo, o petrolífero.



 



A China também é parceira de grande importância pelo modo que ela entra no mercado angolano, por meio de joint ventures, as quais possibilitam que a Sociedade Nacional de Petróleos de Angola (SONANGOL), a empresa estatal que lida com este departamento, tenha a possibilidade de trabalhar com o governo chinês, que tem tecnologias que o governo angolano está longe de adquirir.



 



Além disso, o governo chinês também investe dinheiro na pesquisa e procura de novas áreas para serem exploradas, fazendo com que o governo de Luanda só venha a investir seu dinheiro quando é confirmada a existência de petróleo, evitando assim, um gasto que segundo ele, não pode arcar.



 



A China, assim, consegue grande quantidade de petróleo para a sua economia, vital para o seu crescimento e ainda constrói a imagem de salvador de Angola no pós-guerra civil.



 



A lucratividade conseguida pelo governo chinês em Angola e em outros países africanos, onde atua do mesmo jeito, fez com que muitos países mudassem a visão sobre como agir no mercado petrolífero angolano ao perceberem que estavam perdendo um mercado precioso e lucrativo.



 



Os americanos sempre estiveram presentes no país; contudo, ao perceberem a avidez chinesa resolveram investir mais pesado em Angola, não só em petróleo, mas também no setor de gás.



 



A Chevron está desenvolvendo juntamente com o governo um projeto na área de gás liquidificado. Muitos outros países já perceberam as possibilidades do mercado angolano e começam a investir mais no país, sendo exemplos Brasil e Japão.



 



A exportação vem a ser o principal meio de recursos em Angola, sendo 74% do seu PIB (7). Estes números mostram o caráter de pilhagem, pois grande parte do que é encontrado e produzido no país, não fica no mesmo.



 



No que se refere a valores, é exportado por ano US$ 16. 119 milhões em petróleo cru, US$ 94.9 milhões em diamantes, US$ 234 milhões em produtos de petróleo refinado e US$ 21 milhões em gás liquidificado (8).



 



Entretanto, Angola é extremamente dependente do setor petrolífero, pois 62,9% do seu PIB vem deste setor (9), o que o faz explorar de forma insustentável este setor para poder sustentar a sua economia, assim como o enriquecer suas elites.



 



Todavia, o governo não distribui de forma equânime os dividendos oriundos do petróleo com toda a sociedade, criando assim grande desigualdade em seu seio, além da falta de investimentos em setores básicos; como educação e saúde.



 



Estes são fatores essenciais para que Angola deixe de ser um mero participante para ser ator importante no cenário internacional.



 



Notas



 



1 - SAUTMAN, Barry V. P. 10



2 - TAYLOR, Ian. P. 3



3 - Idem, Ibidem



4 - SAUTMAN, Barry V. P. 26



5 - Idem, Ibidem



6 - TAYLOR, Ian. P. 13



7 - ONU, Relatório de Desenvolvimento Humano



8 - http://www.economist.com/countries/Angola/profile. cfm?folder=Profile%2DEconomic%20Structure



9 - Idem, Ibidem



 



Alexandre Addor é formado em Relações Internacionais pelo Bennett, graduando em História pela PUC-Rio e membro do GT III - Prevenção e Resolução de Conflitos Armados  do Grupo de Análise de Prevenção de Conflitos Internacionais, GAPCon, sob a coordenação do Prof. Clóvis Brigagão

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