Brasília, 10 de dezembro de 2018 - 23h31

África Poruguesa

06 de julho de 2014
por: InfoRel
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Marcelo Rech, especial de Lisboa



O presidente de Angola, José Eduardo dos Santos acaba de ser eleito presidente do Fórum dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) com o objetivo de conduzir o processo de reforma do mecanismo que não se reunia há exatos 22 anos.



Os cinco Chefes de Estado dos países membros estiveram reunidos em Luanda e Portugal ainda avalia se a reativação do bloco é positiva ou não para os seus interesses na África. Interesses que não são poucos nem secundários para a política exterior portuguesa.



De acordo com analistas ouvidos pelo InfoRel em Lisboa, os países africanos precisam de muita unidade para tirar o PALOP do atual estado de letargia. A última vez em que se reuniram foi em São Tomé e Príncipe em 1992.



Santos que já comanda a Conferência dos Grandes Lagos tem mandato até 2016. Segundo ele, a institucionalização do PALOP é a melhor maneira de mantê-lo vivo e revigorado. Ele acredita que o mecanismo ainda é necessário para uma melhor interlocução com as organizações internacionais multilaterais, regionais e sub-regionais.



Uma das preocupações é diferenciar o PALOP da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Para José Eduardo dos Santos, “os PALOP têm problemas específicos comuns que requerem instrumentos diferenciados de intervenção fora do contexto da CPLP”.



Para a Guiné-Bissau, é preciso que os membros definam uma agenda de prioridades para evitar a sobreposição com outras organizações. Na visão do presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos da Fonseca, o PALOP deve evitar tratar de temas que já estejam na agenda de outros mecanismos.



Na visão de analistas portugueses de relações internacionais, Angola tem capacidade para liderar este movimento. É o país de maior dimensão geográfica e maior potencial econômico-comercial entre os integrantes do PALOP.



Angola também atua com o objetivo de integrar o Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro não permanente. Por outro lado, consideram prematura a ideia de que o PALOP poderá, com Angola ocupando um assento no CSNU, fazer da Língua Portuguesa um dos idiomas da ONU, o que somente será possível se Brasil e Portugal decidirem abraçar a causa como prioridade para suas respectivas políticas externas.



Guiné



Em Portugal, há resistências políticas quanto ao ingresso da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Partidos políticos portugueses acreditam que a pretensão daquele país é apenas obter legitimidade para as ações do presidente local, considerado um ditador.



Na avaliação da maioria dos partidos políticos portugueses, as mudanças promovidas pelo presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, são meramente cosméticas tanto em relação ao idioma como na proteção aos direitos humanos.



Ele é considerado o oitavo governante mais rico do mundo apesar de o país ser um dos mais pobres do planeta e está no poder desde 1979. O idioma oficial do país sempre foi o espanhol, mas ele tornou o português oficial por razões políticas.


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