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Comércio Exterior
10/04/2015
Diplomacia
10/04/2015

Estratégia

Ao defender acordo Mercosul-UE, Dilma cobra maior abertura comercial nas Américas

Marcelo Rech, especial da Cidade do Panamá

Ao participar do encerramento da II Cúpula Empresarial das Américas, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o Brasil está pronto para fazer um acordo, dentro do Mercosul, com a União Europeia, cujas negociações estão paralisadas há mais de um ano.

Ela defendeu ainda uma maior integração econômica regional, “com maior abertura comercial e, também, uma abertura grande aos investimentos inter-regionais”.  De acordo com a presidente, “nós estamos prontos para esse acordo”.

Ao lado dos presidentes Barack Obama, dos Estados Unidos, Enrique Peña Nieto, do México, e Juan Carlos Varela, do Panamá, Dilma Rousseff lembrou também a importância das relações com os Estados Unidos. “Recentemente, assinamos um memorando de entendimento entre o Ministério do Desenvolvimento brasileiro e o Departamento de Comércio americano, que eu considero muito importante, porque vai facilitar o comércio e fazer com que o nosso Portal Único de Exportações dialogue com a Single Window, do sistema de comércio dos Estados Unidos”.

A presidente saudou ainda o colega mexicano pela renovação do acordo automotivo com o Brasil. “Considero que todas essas iniciativas contribuem para que nós tenhamos um horizonte de crescimento maior”, afirmou.

Integração

A presidente enfatizou a importância do processo de integração regional e, segundo ela, é preciso dar importância às parcerias com os diferentes governos e empresários do continente latino-americano.

“Me refiro, no Paraguai, à linha de transmissão que leva energia de Itaipu, que é uma das maiores hidrelétricas aqui do continente – se não a maior – à Assunção, garantindo ao Paraguai as condições para o crescimento industrial. No Uruguai, a integração energética, os parques eólicos, as linhas de transmissão, a conversora. Na Argentina, a construção e o financiamento do Gasoduto TGN Sul, o Gasoduto Sul e o Gasoduto Norte; a fase 3 do Gamesa; a estrutura de água e esgoto em toda a grande Buenos Aires; em Cuba, o Porto de Mariel; na Guatemala, o trecho 1 da Rodovia Centro-americana; na Nicarágua, a Hidrelétrica de Tumarín; no México, o Polo Petroquímico da Cidade do México”.

Parte dessas obras são financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e várias delas têm seus contratos classificados sob sigilo. Eis algumas das obras viabilizadas com recursos do Brasil:

– Porto de Mariel, Cuba – Valor da obra – US$ 957 milhões (US$ 682 milhões por parte do BNDES). Empresa responsável – Odebrecht.

– Hidrelétrica de São Francisco, Equador – Valor da obra – US$ 243 milhões. Empresa responsável – Odebrecht.

– Hidrelétrica Manduriacu, Equador – Valor da obra – US$ 124,8 milhões (US$ 90 milhões por parte do BNDES). Empresa responsável – Odebrecht (depois de três anos, os dois países ‘reatam relações’ após o governo equatoriano ter expulsado a empresa brasileira do país, e apesar da ameaça de calote, o Brasil concede novo empréstimo ao Equador).

– Hidrelétrica de Chaglla, Peru – Valor da obra – US$ 1,2 bilhões (US$ 320 milhões por parte do BNDES). Empresa responsável – Odebrecht.

– Metrô Cidade do Panamá – Valor da obra – US$ 1 bilhão – Empresa responsável – Odebrecht.

– Autopista Madden-Colón, Panamá – Valor da obra – US$ 152,8 milhões. Empresa responsável – Odebrecht.

– Aqueduto de Chaco, Argentina – Valor da obra – US$ 180 milhões do BNDES. Empresa responsável – OAS.

– Soterramento do Ferrocarril Sarmiento, Argentina – Valor – US$ 1,5 bilhões do BNDES. Empresa responsável – Odebrecht.

– Linhas 3 e 4 do Metrô de Caracas, Venezuela – Valor da obra – US$ 732 milhões. Empresa responsável – Odebrecht.

– Segunda ponte sobre o rio Orinoco, Venezuela – Valor da obra – US$ 1,2 bilhões (US$ 300 milhões por parte do BNDES). Empresa responsável – Odebrecht.

– Barragem de Moamba Major, Moçambique – Valor da obra – US$ 460 milhões (US$ 350 milhões por parte do BNDES). Empresa responsável – Andrade Gutierrez.

– Aeroporto de Nacala, Moçambique – Valor da obra – US$ 200 milhões ($125 milhões por parte do BNDES). Empresa responsável – Odebrecht.

– BRT da capital Maputo, Moçambique – Valor da obra – US$ 220 milhões (US$ 180 milhões por parte do BNDES). Empresa responsável – Odebrecht.

– Hidrelétrica de Tumarín, Nicarágua – Valor da obra – US$ 1,1 bilhão (US$ 343 milhões). Empresa responsável – Queiroz Galvão (a Eletrobrás participa do consórcio que irá gerir a hidroelétrica).

– Projeto Hacia el Norte – Rurrenabaque-El-Chorro, Bolívia – Valor da obra – US$ 199 milhões. Empresa responsável – Queiroz Galvão.

– Exportação de 127 ônibus, Colômbia – Valor – US$ 26,8 milhões. Empresa responsável – San Marino.

– Exportação de 20 aviões, Argentina – Valor – US$ 595 milhões. Empresa responsável – Embraer.

– Abastecimento de água da capital peruana – Projeto Bayovar, Peru – Valor – Não informado. Empresa responsável – Andrade Gutierrez.

– Renovação da rede de gasodutos em Montevideo, Uruguai – Valor – Não informado. Empresa responsável – OAS.

– Via Expressa Luanda/Kifangondo, Angola – Valor – Não informado. Empresa responsável – Queiroz Galvão.

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