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Árabes israelenses alimentam ressentimento por per

Árabes israelenses alimentam ressentimento por perda de território

A pouco mais de 20 minutos de Tel Aviv está a cidade de Tira, um município árabe que pertence ao Estado de Israel. De acordo com dados do organismo israelense de estatísticas, Israel tem uma população de 1,4 milhão de árabes não judeus, cerca de 20% de sua população.

Esse número contempla os mais de 250 mil árabes que vivem em Jerusalém Oriental e outros 19 mil drusos que residem nas Colinas de Golã, próximo à Síria.

Tira é um desses municípios com 11,89 km². Antes da criação do Estado de Israel, tinha o triplo em termos de extensão territorial. De acordo com o prefeito da cidade, Mamoun Abd-El Hay, o ressentimento dos árabes que ali vivem ainda é grande.

Com pouco mais de três anos como prefeito, Abd-El Hay explicou que Tira tem hoje uma população de cerca de 24 mil habitantes, com maioria mulçumana, mas a região, mais de 350 anos.

Nos municípios de Israel não há limites para a reeleição e os vereadores eleitos por voto direto, são voluntários, não recebem salário.

Segundo Mamoum Abd-El Hay, as relações entre árabes e judeus em geral é boa, mas as tensões permanentes acabam por contaminar o diálogo.

“Nós somos palestinos, mas cidadãos de Israel. O governo central discrimina as cidades árabes e o ministro de Relações Exteriores de Israel é um extremista de direita que alimenta as divisões”, explicou o prefeito.

Mamoum Abd-El Hay afirmou que até os dias de hoje, as pessoas que perderam suas propriedades com a criação do Estado de Israel demandam o governo para que essa terra lhes seja devolvida.

“Este é um elemento sumamente importante. Na nossa cultura, terra é igual a honra e muitas das tensões na região resultam desse problema”, destacou Abd-El hay.

Na avaliação do prefeito de Tira, a comunidade internacional não cumpre com sua função quanto a um acordo de paz duradouro.

“Há acordo entre os povos de Israel e da Palestina para um Estado ao lado do outro, inclusive a própria direita extrema já acredita nisso. Somos 20 milhões os palestinos em todo o mundo e não podem nos ignorar. Cedo ou tarde isso vai ter que se resolver e eu lamento que o conflito cobre ainda tantas vidas”, explicou.

O prefeito de Tira – que significa “A Terra Alta” – cobra de países como o Brasil, uma atitude mais proativa em termos de pressão e influência junto às autoridades de Israel para que haja uma solução que contemple dois estados.

Ele revelou ainda que de tempos em tempos a população árabe de Tira realiza manifestações pacíficas em defesa de um Estado Palestino e que jovens da cidade já integraram de forma clandestina a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Mamoum Abd-El Hay também criticou o primeiro-ministro de Israel, Benyamin Netanyahu, que acusa os extremistas palestinos esquecendo-se que também em Israel há extremistas.

Quanto ao apoio dos Estados Unidos a Israel, Abd-El Hay é taxativo: “É Israel quem governa os Estados Unidos e não o contrário”.

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