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Argentina assume o MERCOSUL na expectativa de acordo com a UE

Argentina assume o MERCOSUL na expectativa de acordo com a UE

14 de dezembro de 2018 - 16:57:25
por: Marcelo Rech
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Brasília – Nos dias 17 e 18 de dezembro, será realizada em Montevidéu, a 53ª Reunião Ordinária do MERCOSUL quando o Uruguai passará a presidência do bloco à Argentina. A expectativa, no entanto, continua sendo o Acordo de Livre Comércio com a União Europeia.

No dia 3, o presidente da Argentina, Mauricio Macri, afirmou o presidente eleito Jair Bolsonaro quer avançar nas negociações entre os dois blocos, mas as recentes declarações da chanceler alemã Angela Merkel dando conta que o presidente eleito do Brasil não deve facilitar as negociações, está gerando muitas preocupações.

"Falei antes de começar o G20 com o meu novo colega Jair Bolsonaro, e ele me confirmou que quer avançar no acordo, mas precisa ver como está e tomar a sua posição", disse o líder argentino.

De acordo com Merkel, o tempo está se esgotando para alcançar um tratado comercial entre os dois blocos. Para o diretor do Departamento de Relações Comerciais do Itamaraty, André Carvalho, "declarações pontuais" não têm efeito no processo de negociação entre os blocos.

"Você analisa os contextos políticos de uma negociação, mas eu não acredito que declarações específicas vão se tornar o principal filtro pelo qual as autoridades do MERCOSUL vão avaliar qualquer negociação individual”, disse Carvalho.

O diplomata explicou ainda ser difícil prever como as declarações de autoridades de estados-membros afetam a posição negociadora da Comissão Europeia. “No tocante aos tempos de conclusão, garantida a disposição política dos dois lados em fazer os movimentos que são necessários e demonstrar a flexibilidade que é necessária para se encontrar os espaços de convergência, a negociação poderia finalizar rapidamente”, observou.

Em novembro, à margem da Cúpula dos Líderes do G20, em Buenos Aires, o presidente da França, Emmanuel Macron, também tratou do tema e condicionou os avanços das negociações à permanência do Brasil no Acordo de Paris.

André Carvalho revelou também que a negociação entre o MERCOSUL e a União Europeia é a pauta mais avançada para a reunião do Conselho do Mercado Comum prevista para a próxima semana e depende de decisões políticas de ambos os blocos para a sua efetivação.

“O que nós ainda temos em pauta representa não um desafio técnico, mas um desafio político. Nesse sentido não são desafios associados a tempo de negociação e sim de conseguir um entendimento político que viabilize um equilíbrio satisfatório para as duas partes. Então o prazo para a conclusão da negociação com a União Europeia poderia ser um prazo extremamente curto e nós recebemos frequentes indicações de compromisso político favorável a uma conclusão rápida”, assegurou o diplomata.

Já a embaixadora Eugenia Barthelmess, diretora do Departamento da América do Sul Meridional do ministério das Relações Exteriores, afirmou que “o novo governo assumindo dará as diretrizes correspondentes que as áreas seguirão naturalmente”.

A União Europeia e o MERCOSUL negociam um acordo baseado em três pilares - diálogo político, cooperação e livre-comércio - há quase duas décadas. Nos últimos dois anos, o processo ganhou fôlego, e várias vozes consideravam que a assinatura definitiva estava próxima.

 

Chanceleres

No dia 6 de dezembro, os chanceleres da Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai, se reuniram em Brasília para avaliar o estado das negociações entre os dois blocos. O encontro foi presidido pelo ministro de Relações Exteriores do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa quem advoga por um TLC com a China e o abandono das negociações com a UE.