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Argentina e Brasil relançam relações políticas e econômicas

Marcelo Falak, especial de Buenos Aires

A suposta sintonia política entre Cristina Kirchner e Dilma Rousseff não impediu nos últimos anos que Argentina e Brasil sofressem uma deterioração da relação bilateral. Se os problemas  econômicos a um e outro lado da fronteira impuseram um teto ao intercâmbio comercial (somente no ano passado caiu 18,8%), uma incompreensível desconexão levou o vínculo à uma perda sensível de densidade.

Uma queixa recorrente, pelo menos nos últimos três anos, de diplomatas brasileiros estabelecidos na Argentina foi a interrupção do diálogo a nível de segundas linhas e quadros técnicos dos diferentes ministérios. Em pouco tempo, em Buenos Aires deixaram de atender os telefonemas e em Brasília, naturalmente, terminaram por deixar de levantá-los.

A visita na semana passada do chanceler Mauro Vieira deixou como saldo uma enorme satisfação nos dois Governos. É que o seu resultado foi, nem mais nem menos, que o relançamento da relação bilateral.

Em sua visita registraram-se avanços importantes no diálogo de oito ministérios de ambos os países. Os maiores progressos se realizaram na indústria e em Ciência e Tecnologia: os ministros brasileiros de ambas as pastas chegarão a Buenos Aires, no mais tardar, no começo do mês que vem.

A delegação do chanceler Vieira ponderou, sobretudo, a retomada de um projeto para a construção de um reator na Argentina, com financiamento brasileiro, para a produção de medicamentos.

Segundo se acordou, os ministros ou vice-ministros das diferentes pastas se encontrarão duas vezes por ano e os chanceleres, a cada três meses.

O chanceler Vieira se reuniu com sua contraparte, Susana Malcorra, e com o ministro da Fazenda e Finanças, Alfonso Prat-Gay. Em meio às reuniões, logrou ver-se com o presidente Mauricio Macri, um encontro que as autoridades argentinas não confirmaram até o último momento. Foi nessa ocasião que Mauro Vieira lhe entregou uma carta oficial para que visite o Brasil, o que se confirmaria, de acordo com as agendas em Buenos Aires e Brasília, no mês de março.

Ambos os Governos não têm sintonia ideológica, isso é evidente, mas alcançaram avançar com uma dose importante de pragmatismo.

O interesse comum será o cimento mais confiável para reconstruir um vínculo imprescindível.

Marcelo Falak é jornalista e analista político. É graduado em Ciência Política e se especializou em Relações Internacionais e História. Web: http://marcelofalak.com.ar. E-mail:marcelofalak@gmail.com.

Versão em espanhol: http://www.inforel.org/noticias/noticiasEspanhol.php?tipo=2

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