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Argentina mantém disposição de deixar a UNASUL

Marcelo Rech, especial de Santiago – 

A Argentina mantém a disposição de deixar a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL) por conta do veto da Venezuela ao nome do Embaixador José Octávio Bordón para o cargo de Secretário-Geral da entidade. Há pouco mais de um ano, a UNASUL está sem comando o que impacta no seu próprio funcionamento. Em 2017, a presidência pro tempore do bloco ficou justamente com a Argentina e praticamente nada foi feito.

Na avaliação da diplomacia argentina, trata-se de um mecanismo que custa caro e que está inoperante por conta de divergências ideológicas. O Chile é outro que irá avaliar a conveniência de continuar ou não no bloco sul-americano. O tema foi tratado nos bastidores das reuniões da CELAC – China e do Grupo de Lima, realizadas em Santiago entre 19 e 24 de janeiro.

Desde dezembro, o presidente Mauricio Macri tem colocado em dúvida a participação da Argentina na UNASUL. José Octávio Bordón, embaixador argentino no Chile, teve seu nome respaldado por sete dos 12 países membros da UNASUL, mas a Venezuela justifica que o cargo foi criado para ser ocupado por um ex-presidente como o foi o caso de Nestor Kirchner em 2010.

Os três seguintes foram a ex-chanceler colombiana María Emma Mejía, entre 2010 e 2012, o ex-ministro de Relações Exteriores da Venezuela, Alí Rodríguez, de 2012 a 2014, e o ex-presidente da Colômbia, Ernesto Samper, entre 2014 e 2017.

De origem peronista, Bordón, de 71 anos, chefia a Embaixada da Argentina no Chile desde janeiro de 2016. Ele foi governador de Mendoza entre 1987 e 1991, deputado entre 1983 e 1987, senador entre 1992 e 1996, e embaixador nos Estados Unidos entre 2003 e 2007.

Em diálogo com o InfoRel, o diplomata afirmou que a situação na UNASUL não deve mudar e que a Bolívia assumirá a presidência do bloco, em abril, na mesma situação da Argentina, sem condições de implementar nada por falta de um Secretário-Geral. Ele também explicou que o seu nome não representa um país, mas o conjunto da maioria dos membros do mecanismo. “No entanto, a Venezuela não quer saber e sequer vetando. Quem perde é a UNASUL e a integração regional”, afirmou.

Na sua avaliação, Bolívia, Cuba e Venezuela não querem os mecanismos regionais funcionando plenamente, pois perderam o controle que tinham sobre eles. Sem condições de impor uma agenda bolivariana, esses três países preferem impedir que funcionem. Pelo mesmo caminho, vai a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) que em 2018 não teve a sua tradicional reunião de cúpula e está sem presidente pro tempore.

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