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Geopolítica

Argentina se volta para os Estados Unidos (enquanto espera o Brasil)

Marcelo Falak, especial de Buenos Aires

A visita de Barack Obama à Argentina lotou como era de se esperar, numerosas páginas de diários e longas horas de televisão e rádio. O seu saldo, mais rico em sinais e reposicionamentos que em resultados concretos ou investimentos imediatos, justifica a atenção que recebeu…ainda que o central tenha passado desapercebido.

Pelo lado do evidente, constituiu um enorme prêmio para Mauricio Macri e suas políticas. A abertura da economia, o acordo com os fundos abutres e a nova agenda de política internacional foram abençoadas pelo norte-americano.

Depois da era de gelo dos anos finais da era K, algo mais dado pela dinâmica inevitável de certos acontecimentos que por vontade de Cristina Kirchner, a Argentina começa uma reorientação de sua política exterior. Venezuela, Rússia e Irã saem; China permanecerá, como uma fonte inevitável de investimentos para um país sedento deles; o mesmo que Brasil, sócio estratégico e já sem dúvidas permanentes; Estados Unidos volta com toda a força de que é capaz.

Regressa com a nova aliança com Washington a cooperação em matéria de inteligência, terrorismo, lavagem de dinheiro e narcotráfico, o que praticamente importa para a hiperpotência nesta zona periférica do mundo. E, algo mais, realmente profundo e menos ponderado na cobertura da imprensa argentina: o livre comércio.

A idéia de um tratado comercial amplo com os Estados Unidos foi primeiro sugerida e logo relativizada pela chanceler Susana Malcorra. A conferência de imprensa conjunta entre Obama e Mauricio Macri a elevou de novo ao posto de desejável no médio e longo prazo.

A única trava para passar imediatamente do plano das aspirações para os fatos concretos é o Brasil, com sua crise institucional não resolvida. Buenos Aires espera com intensidade sua resolução, o que de um modo ou outro supõe – descontado – o passo final para o giro internacional que se ensaia. Se Dilma Rousseff se salva do impeachment, o que restar de Governo – não, claro, no poder, que não o terá – fará irresistível a pressão do grande empresariado brasileiro por um giro em direção aos Estados Unidos. Se cai, a aliança de centro-direita que a sucederá abraçará com a mesma força que a nova Argentina essa causa. O interesse é que, aconteça o que acontecer que se defina o mais rapidamente possível.

Cabe esperar, pelo menos, que essa força aparentemente irresistível tenha o filtro de um devido debate sobre a conveniência ou não de um acordo desse tipo. Sabe-se que o livre comércio gera oportunidades de investimentos e exportações, mas que também tende a cristalizar as estruturas produtivas existentes, sobretudo quando o parceiro é um verdadeiramente poderoso.

Se o debate chega, em todo caso será melhor que Argentina e Brasil o afrontem em conjunto. O momento decisivo se aproxima.

Marcelo Falak é jornalista e analista político. É graduado em Ciência Política e se especializou em Relações Internacionais e Historia.  Web: http://marcelofalak.com.ar. E-mail:marcelofalak@gmail.com.

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