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26/02/2015
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11/03/2015

Ilhas Malvinas

Argentina tolera que Brasil atenda navios britânicos

Marcelo Falak, especial de Buenos Aires, Argentina

A “paciência estratégica” não só é um atributo do Brasil em benefício da Argentina e dos seus problemas econômicos. O caminho é recíproco, pelo menos no que diz respeito à coordenação em matéria de defesa e ao tema das Malvinas.

Faz tempo se denunciou que, a despeito dos entendimentos firmados há quatro anos em nível de Mercosul e Unasul, países como Brasil e Chile não cumprem com o compromisso de negar assistência logística e técnica em seus portos a navios militares britânicos a caminho das Ilhas disputadas.

A primeira menção ao tema corresponde ao ex-vice-chanceler argentino Andrés Cisneros em seu livro “Apontamentos para uma política exterior pós-kichnerista”.

A versão foi desmentida por Daniel Filmus, responsável da Secretaria para a Questão Malvinas, que depende da Chancelaria. Por outro lado, muito além das declarações formais, o abastecimento a navios britânicos é uma realidade conhecida e tolerada pelo Governo argentino.

Uma alta fonte do Governo argentino me explicou que a Casa Rosada prefere tolerar essa situação, que considera “menor”, e valorizar o apoio político e diplomático explícito que a presidente Dilma Rousseff brinda à Argentina em todos os fóruns internacionais que tratam a disputa pela soberania sobre as Ilhas Malvinas.

O principal foco de interesse do ministério da Defesa que conduz Agustín Rossi está concentrado na complementação em matéria de produção militar. Entusiasmam especialmente o funcionário as possibilidades que se abriram após a assinatura em outubro último da Aliança Estratégica em Indústria Aeronáutica (AEIA).

O presente pacto estabelece que a Fábrica Argentina de Aviões Brigadeiro San Martín, localizada na Província de Córdoba, aporte componentes para a produção do avião brasileiro de carga KC-390. Estas serão as primeiras exportações em matéria militar aeronáutica do país nos últimos vinte anos, o que Rossi considera o início de outros intercâmbios.

O funcionário considera excelente a relação bilateral em nível de defesa e pondera a existência de mecanismos regulares de reuniões em nível de ministros, vice-ministros e equipes técnicas.

Marcelo Falak é jornalista e analista político. Graduado em Ciência Política, possui especialização em Relações Internacionais e História. Web: http://marcelofalak.com.ar. E-mail: marcelofalak@gmail.com.

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