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Argentina vai comprar 18 aviões de guerra de Israe

Argentina vai comprar 18 aviões de guerra de Israel

Brasília – O governo argentino anunciou que comprará 18 aviões de guerra Kfir Block 60, usados, de Israel, para utilizá-los em operações de vigilância e dissuasão no Atlântico, com especial atenção às Ilhas Malvinas. No total, serão gastos US$ 500 milhões na operação.

Os aviões israelenses venceram a disputa com o Mirage oferecido pela Espanha, muito mais baratos (US$ 217 milhões).

A decisão ascendeu a luz vermelha em Londres que acredita nas intenções bélicas argentina para reaver as Ilhas, principalmente após as descobertas de um grande potencial petrolífero em sua plataforma.

Londres suspeita que o governo argentino queira utilizar os aviões para intimidar as empresas britânicas e norte-americanas que prospectam gás e petróleo na costa das Ilhas Malvinas desde 2010. Pelos levantamentos já realizados, é possível extrair petróleo a partir de 2017.

Por esta razão, o governo britânico solicitou a Israel, informações detalhadas sobre o avião e suas capacidades.

Seis aviões chegariam já reequipados e modernizados e os 12 restantes seriam atualizados na Argentina. O primeiro Kfir será entregue ainda em 2014.

A Argentina está em negociações com a Indústria Aeroespacial de Israel (IAI) desde setembro de 2013. Os Kfir oferecidos já têm mais de 40 anos, mas serão completamente modernizados com motores norte-americanos e radar de última geração.

Atualmente, apenas o Sri Lanka, Equador e Colômbia operam com este avião.

O Brasil, por sua vez, monitora a situação desde o ano passado por meio do Itamaraty e do ministério da Defesa. O objetivo é identificar possíveis focos de tensão e neutralizá-los por meio de ações diplomáticas e, se for o caso, do Conselho Sul-Americano de Defesa (CDS), da Unasul.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

Embora uma coisa não guarde relação direta com a outra, a decisão argentina de pagar mais caro por um avião de guerra, não tem a ver com o fato de se tratar também de um avião melhor e muito mais robusto técnica e operacionalmente.

Buenos Aires pesou questões políticas de fundo e percebeu que era o momento adequado para minimizar os problemas com Israel, fomentados depois que a presidente Cristina Kirchner decidira fechar um acordo com o Irã em relação aos atentados terroristas perpetrados contra alvos judeus em 1992 e 1994.

Para Israel, os atentados foram planejados e financiados pelo Irã. De acordo com o fiscal de Justiça Alberto Nisman, reuniões para tratar da operação foram realizadas em território brasileiro e envolveram diplomatas iranianos.

No entanto, em setembro do ano passado, Argentina e Irã fecharam um acordo. Os chanceleres argentino Héctor Timerman e iraniano Mohammad Javad Zarif, o fizeram na sede das Nações Unidas, à margem da Assembleia Geral da ONU.

Ainda está pendente a criação de uma comissão de cinco membros e a data para que autoridades judiciais argentinas interroguem em Teerã oito suspeitos de participação nos atentados.

Entre os oito suspeitos identificados pela Argentina, estão o ex-ministro da Defesa, Ahmad Vahidi, o ex-chefe da Guarda Revolucionária, Mohsen Rezai, o ex-presidente Ali Rafsanjani (1989-1997) e o ex-conselheiro cultural iraniano em Buenos Aires, Moshen Rabbani.

Se por um lado, Kirchner busca revolver um imbróglio que já dura 20 anos, por outro terá de lidar com a ira da comunidade judaica no país, a maior da América Latina com cerca de 300 mil pessoas.

A compra do Kfir é um gesto simbólico que pouco ou nenhum efeito produzirá junto aos judeus argentinos.

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