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As armas de discórdia

As armas de discórdia

Marcelo Rech

Os olhos do mundo estão voltados para a Síria. O Irã não sai do radar. Já se considera uma Primavera Árabe no Sudão. Os conflitos se multiplicam.

Alguns monopolizam as atenções dos meios de comunicação e dos organismos internacionais, como o Conselho de Segurança das Nações Unidas, outros passam completamente despercebidos enquanto gestados.

São conflitos marcados por certa indiferença simplesmente porque ainda não explodiram.

Na Transcaucásia, ou Cáucaso Sul, região que compreende as repúblicas atuais da Armênia, Geórgia e Azerbaijão, há uma corrida armamentista perigosa embora desenvolvida em silêncio.

Recentemente, o ministério da Defesa do Azerbaijão adquiriu um sistema portátil de neutralização de minas denominado POMINS-2, de fabricação israelense.

Também a Israel Aerospace Corporation assinou acordo de US$ 1,6 bilhão com o Azerbaijão para a provisão de armas.

São dois exemplos do fortalecimento da cooperação azerbaijani-israelense que tira o sono das autoridades iranianas, embora o Azerbaijão tenha assegurado que essas armas serão usadas apenas contra a Armênia e Nagorno-Karabakh “para liberar os territórios azerbaijanis ocupados, e não contra o Irã”.

No contexto desse rearmamento, o Azerbaijão também recebeu ou receberá aviões, helicópteros de combate, tanques, veículos de infantaria, lançadores de míssil, veículos de transporte de pessoal blindados, e outros. Isso acaba por alimentar possíveis conflitos de consequências ainda incalculáveis.

Há interesses de fora da região que tratam de manter a tensão no Cáucaso do Sul e desestabilizar uma região de alto valor estratégico.

Aos Estados Unidos, interessa que a Rússia perca sua influência ali. Moscou assegura que sua presença militar na região cumpre funções meramente defensivas.

No entanto, acusa Washington de estimular as tensões com suas bases na Geórgia, que também poderiam ser usadas em caso de um conflito com o Irã.

Nesta linha, seria igualmente interessante para os Estados Unidos, manter instalações militares no Azerbaijão e na Armênia.

Por outro lado, não se pode ignorar o que há além desse objetivo já conhecido.

A Transcaucásia é uma região rica em combustíveis e recursos energéticos, e com acesso a dois mares – o Negro e o Cáspio. Através do Mar Cáspio um caminho se abre para a Ásia Central, onde os Estados Unidos almejam exercer maior influência e protagonismo.

Quanto ao provimento de armas à região, também não se pode ignorar os movimentos realizados pela Turquia.

Ankara não só fornece armas regularmente ao Exército azerbaijani como o treina por meio de seus instrutores.

Especialistas enxergam ainda um perigoso estímulo ao desejo de vingança de Baku e às tentativas de se resolver o problema de Nagorno-Karabakh por meio do uso da força.

A estabilidade da região é crucial para todo o mundo e não será com mais armas que se construirá uma paz duradoura e verdadeiramente sólida.

Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais e Defesa e Terrorismo e Contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org.

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