Brasília, 11 de dezembro de 2018 - 21h40

Política

01 de novembro de 2016
por: InfoRel
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Marcelo Rech



As eleições norte-americanas a serem realizadas no próximo dia 8, são aguardadas por todo o mundo com grande expectativa. Não exatamente pelo impacto positivo que poderão ter, mas pelos retrocessos que poderão produzir. Tanto Hilary Clinton como Donald Trump estão muito longe de representar os anseios da comunidade internacional.



Para a América Latina, as expectativas não são nada boas. Historicamente, a região sempre foi vista como o quintal dos Estados Unidos. Nos últimos anos, Washington percebeu que precisava dar mais atenção aos vizinhos. Claro, as razões são sempre os interesses norte-americanos.



Quando analisamos a situação do México e a sua implosão com os cartéis de drogas cada vez mais fortes, estamos enxergando o que isso pode representar para a sociedade norte-americana. Quando o foco é a América Central e o crescimento exponencial das maras, gangues que rezam por suas próprias cartilhas, idem.



A discussão em torno dos fluxos migratórios, guardam relação com o impacto que o tema tem dentro dos Estados Unidos. Em geral, as crises, problemas e óbices latino-americanos só importam para os Estados Unidos naquilo que podem se traduzir em danos potenciais para o país. Em relação ao futuro, essa forma de enxergar a região não deve mudar, seja com Clinton ou com Trump.



Em 2014, Barack Obama deu início à histórica aproximação com Cuba, algo altamente positivo, mas que ainda carece de mudanças objetivas e uma delas diz respeito ao fim do embargo econômico imposto contra a Ilha em 1962. No entanto, a falta de confiança é natural e somente será superada se o processo tiver continuidade. Com um Congresso de maioria republicana e com o forte lobby anticastrista na Flórida, é possível que as negociações sejam congeladas ou repensadas.



A situação da Venezuela também incomoda. E incomoda ainda mais com a aproximação intensa da Rússia e da China, inclusive em matéria de Defesa e Segurança e temas políticos. O colapso venezuelano que estaria muito próximo, poderia ser mais um gerador de instabilidades nas relações entre Washington e a região.



Embora a maioria dos países latino-americanos concorde que a crise venezuelana extrapola o bom senso, há divergências explícitas quanto à forma de atacar o problema. E há dúvidas objetivas quanto à postura a ser adotada pelos Estados Unidos para lidar com o tema.



Também há incertezas em relação ao funcionamento de mecanismos como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) e a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), atualmente controladas pelo eixo bolivariano e esvaziadas pelos demais. A região está nitidamente dividida e essa divisão somente beneficia quem advoga pelo enfraquecimento de uma zona rica em recursos naturais e com uma das maiores biodiversidades do planeta.



Do ponto de vista comercial, as eleições nos Estados Unidos também poderão impactar fortemente os futuros arranjos, inclusive com a possível revisão do ambicioso Tratado Transpacífico. Neste sentido, a América Latina patina feio com o engessamento de vários países amarrados em acordos que pouco produzem em termos de resultados, como o MERCOSUL.



Por fim, há que se recordar que Donald Trump faz pouco caso dos acordos comerciais e o Partido Democrata de Hilary Clinton está longe de apoiar tratados de livre comércio.



Marcelo Rech é jornalista e analista no Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.


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