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Democracia
09/12/2015
Política
09/12/2015

Eleições

As eleições venezuelanas e o fracasso do modelo populista

Marcelo Rech

O triunfo da oposição nas eleições legislativas deste domingo, 6, na Venezuela, desnuda um pouco mais o fracasso do modelo populista de governar. Apesar das tentativas de intimidação, compra de votos e até a entrega de cestas básicas, a oposição conquistou a maioria na Assembleia Nacional, pondo fim a 16 anos de domínio chavista.

A vitória da oposição pode marcar o fim do chavismo, um modelo de governar populista que poderia ter transformado a realidade venezuelana, mas que preferiu enriquecer seus dirigentes ao priorizar um projeto de poder.

O reconhecimento pelo presidente Nicolás Maduro, dos resultados das urnas evita um banho de sangue. Ao longo do processo, ele vinha afirmando que não entregaria o poder, não reconheceria a vitória da oposição e governaria com uma Junta Militar. Apesar das ameaças, Maduro contou com o silêncio obsequioso da vizinhança.

No entanto, a vitória de Mauricio Macri na Argentina, parte do tripé que sustentava o eixo bolivariano com o Brasil, provocou mudanças significativas. A Venezuela corria o risco de ficar ainda mais isolada. Macri ganhou e imediatamente deixou claro que pediria a exclusão do país do Mercosul.

E o faria logo em sua estreia na Cúpula do bloco a realizar-se em 21 de dezembro em Assunção. Um trabalho cuidadoso de bastidores serviu para convencer o líder chavista a abandonar a retórica e adotar uma postura responsável: resultado de eleição se respeita e ponto final.

E a derrota do chavismo é a derrota de um modelo que polariza, divide, nutre o ódio e arma uns contra os outros. Os governos populistas da América do Sul não estão sendo derrotados por golpes, mas por incompetência. As sociedades querem qualidade de vida, acesso, segurança, serviços públicos. Quando não os têm, de nada serve a fanfarronice.

A Venezuela é o quinto maior produtor de petróleo do planeta e jogou fora a oportunidade de desenvolver-se quanto o barril atingiu US$ 140. Oportunidade em que poderia ter recuperado sua indústria, modernizado sua estatal petroleira e potencializado sua economia em todos os setores. No entanto, o que antes chegava a uma elite de direita, alimenta há quase duas décadas, uma elite de esquerda.

No entanto, o processo ainda está longe de terminar. Maduro pode ter aceito o resultado, mas não se considera um derrotado. Nas semanas que antecedem a posse da nova Assembleia, ele pode aprovar medidas que lhe garantam governar por decreto mesmo com minoria parlamentar.

Além disso, a pretensão da oposição em aprovar uma anistia aos presos políticos pode deflagrar novas tensões.

Marcelo Rech é jornalista e analista no Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.

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