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América do Sul

12 de abril de 2005
por: InfoRel
Marcelo Rech

O Brasil é um paà­s que possui uma gigantesca fronteira seca com 10 paà­ses sul-americanos, o que por si só, justifica plenamente todos os esforços por integrar a América do Sul numa comunidade onde a base seja a confiança e a cooperação. Nos dias 18 e 19, os chanceleres da região começam a discutir, em Brasà­lia, a institucionalização da Comunidade.

Entretanto, o fato de possuirmos um território gigantesco onde apenas a Amazônia ocupa 61%, e termos vizinhos em permanente ebulição sócio-polà­tica, nos exige uma atuação muito mais contundente no sentido de mantermos o controle numa área tão inóspita quanto complexa.

Não se trata de desenvolvermos uma polà­tica externa hegemônica, mas presente o suficiente para minimizar os conflitos que podem acabar no nosso quintal. Não é à  toa que o Brasil decidiu partir para uma intermediação do conflito colombiano, em conjunto com a Venezuela e a Espanha.

Na semana passada, o Almirante Miguel Ângelo Davena, Secretário de Polà­tica do Ministério da Defesa, apresentou na Comissão de Relações Exteriores do Senado, como as Forças Armadas estão dispostas na Amazônia. Pela sua exposição, pode-se perceber que também o Ministério da Defesa teme a chamada internacionalização da Amazônia.

Deixou claro que a região é prioridade quando o assunto é o deslocamento de contingentes militares. De acordo com sua apresentação aos senadores, o número de militares brasileiros na fronteira norte deverá chegar a 25 mil até 2006. Resta saber se haverá sensibilidade dos parlamentares quanto ao Orçamento das forças.

Um dos problemas está na presença constante de guerrilheiros colombianos do lado brasileiro. Trata-se de uma realidade que não pode ser ignorada. O Brasil, com sua pretensão de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, tem a responsabilidade de chamar para si, a mediação democrática, entre o governo colombiano e as guerrilhas de direita e esquerda que dominam o paà­s.

É cada vez mais claro que os Estados Unidos pouco se importam com o tema. Enquanto o Plano Colômbia é desenvolvido, os norte-americanos vendem aviões, equipamentos e diversos tipos de armamentos para o governo de àlvaro Uribe. Também vem dos Estados Unidos a cizânia contra o governo venezuelano de Hugo Chávez.

Sem dúvida alguma, a integração fà­sica da América do Sul, se levada a cabo, poderá transformar a região, acostumada a conviver com as instabilidades polà­ticas e econômicas e a fortà­ssima desigualdade social. As novas ameaças tornam-se um desafio para as dez nações que firmarão o compromisso por essa integração.

Resta saber que opção cada paà­s fará em nome dessa integração. Um casamento perfeito exige renúncias e muita confiança. Sem isso, todos os esforços não passaram de um sonho distante.

Marcelo Rech é Editor do InfoRel

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