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As ONGs e a Liga da Defesa Nacional

As ONGs e a Liga da Defesa Nacional

Valmir Fonseca Azevedo Pereira

As ONGs surgiram com a idealista proposta de atuar em áreas esquecidas ou abandonadas pelo poder público ou complementar ou completar a ação capenga dos órgãos estatais em determinados setores.

Contudo, existe uma parcela desinteressada e desligada da população (a maioria) e os analfabetos e semi – analfabetos, um volumoso grupo votante, preocupado apenas com o aumento de sua (s) bolsa(s) ou no seu ingresso numa daquelas sinecuras, e que, comumente nada sabe, e não faz a mínima idéia do que seja uma ONG.

Nos seus beneméritos anseios, podemos presumi – las conduzidas por abnegados voluntários, dispostos a verterem sangue em prol de sua causa.

Podemos imaginar seus membros trabalhando em benefício dos mais diferentes estratos sociais, defendendo posições e convicções, isto, após cumprirem sua jornada de trabalho normal, inclusive aos sábados domingos e feriados.

Logicamente, com tais altruísticos propósitos, trabalhos não faltam, pois nós, brasileiros, somos injustos com os pobres, com as crianças com os doidos, com os aidéticos, com o meio ambiente, com os índios, com os negros, com os brancos, com os amarelos, com a floresta, com os quilombolas, com os parlamentares, com os governantes, com os sem terra, com os sem teto e, inclusive, com os pobres criminosos e os perseguidos terroristas, de vez que, nós sabemos, cobertos de culpa, todos eles são fruto desta sociedade sem eira nem beira.

Contudo, aqueles que imaginam que as ONGs são entidades amadoras cometem um crasso engano. No Brasil, elas são profissionais, pelo menos a sua cúpula, que goza de status e, geralmente, de polpudas remunerações. As ONGs, em geral, tornaram – se um belíssimo cabide de empregos.

Diga – se de passagem, o sonho de toda a ONG é passar a ser um órgão de governo.

Suas Diretorias possuem, como frisamos um elevado prestígio e uma desusada importância, como exemplo, podemos citar as da Amazônia, que sentam – se à mesa para o debate de delicados temas acerca de assuntos de interesse e do território nacional, quando não conduzem, àquelas questões e, literalmente, dão o rumo, segundo seus incógnitos objetivos, para a tomada de sensíveis decisões nacionais.

Em geral, no vácuo da gestão governamental, podemos aceitar com cuidado e desconfiada cautela, a pletora de ONGs que foram criadas no Brasil, pois para cada canto que olhamos, podemos com facilidade, encontrar motivações das mais diversas para instituir uma belíssima sigla, que traduza um tipo de atenção para algo ou alguém necessitado.

E, elas proliferam, na medida em que recebem substanciais e, por vezes, escandalosos aportes do governo. Lembremos que a filha do presidente encabeçava uma ONG, e que o futuro prefeito de São Bernardo, cultuado parasita da Força Sindical, atolado em denúncias, juntamente, com sua esposa, presidia outra entidade benemerente.

Ah! Esquecíamos da ex – Governadora do RJ, que sobrevive servindo a uma conhecida ONG assistencial.

As ONGs, em geral, batalham, bravamente, por coisas materiais e por verbas e patrocínios oficiais. Dizem que os gastos do governo e os recursos destinados às ONGs para o amparo dos menores de rua, que estranhamente continuam perambulando pelas cidades, seriam o suficiente, para sanar o problema, muitas e muitas vezes.

Quando sabemos que muitas das mazelas que assistimos são oriundas da falta de civilidade, do cumprimento dos deveres de cidadania, o que significa inclusive a falta de amor e respeito ao próximo, ao desligamento do indivíduo aos fundamentos do civismo, estranhamos a inexistência de instituições voltadas para o reforço à Cidadania, à Bandeira Nacional, ao Patriotismo e à Preservação da Memória dos verdadeiros Heróis da Pátria.

Deve ser por que este tipo de bandeira não concede renome, nem recursos para os seus propugnadores.

No entanto, para o conhecimento da maioria, desde 1916, existe uma ONG que se dedica exclusivamente ao trato destes temas tão sensíveis. É um dos raros bastiões da nacionalidade e foi criada por Olavo Bilac.

Esta ONG não é aquinhoada com recursos, nem o menor incentivo de qualquer órgão governamental. Seus membros nada recebem, nem usufruem. São voluntários. São abnegados. São brasileiros.

Seu combustível é o idealismo e a vontade de difundir o amor pela Pátria e, assim, pregam num deserto de desinteresse, mas, felizmente, seguem em frente.

Bilac, ardoroso nacionalista, abolicionista, determinado a difundir pela sociedade suas idéias cívico – patrióticas, com a colaboração, entre outros, de Rui Barbosa e Pandiá Calógeras, fundou, em 07 de setembro de 1916, a “LIGA DA DEFESA NACIONAL”, entidade cívico – cultural, cuja finalidade primeira é “robustecer na opinião pública nacional um elevado sentimento de patriotismo”.

Diga-se que Olavo Bilac, ao inocular na sociedade a chama cívica do amor à Pátria, preocupou-se com a sua permanente defesa, pelo que propugnou, arduamente, pela criação do democrático serviço militar universal e obrigatório. Destarte, foi oficialmente instituído “Patrono do Serviço Militar Obrigatório”.

A Liga, imbuída do espírito herdado de Bilac, mantém vivos seus marcantes objetivos, orientados para os assuntos ligados ao Civismo e ao Patriotismo, presta, até hoje, relevantes, mas ainda pouco conhecidos serviços à sociedade brasileira.

Consigne-se que, atualmente, a LDN encontra-se fundamentalmente engajada na campanha pela preservação da Soberania Nacional em nossa Amazônia, tendo adotado o emblemático lema: “Amazônia – Ocupação, Defesa e Guarda!”

Hoje, alguns brasileiros ainda acreditam no sonho de Bilac e amparados na sua verve, mantêm içada a flâmula do civismo e batalham para manter vividos os ideais do Patriotismo.

A nós, meros espectadores do diligente e anônimo esforço desses brasileiros, cumpre ressaltar e admirar o seu empenho, e apóia – los na sua hercúlea dedicação.

Aos heróis da Liga da Defesa Nacional nossos mais profundos e respeitosos votos de sucesso.

Valmir Fonseca Azevedo Pereira é general de brigada RI

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