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Forças Armadas

08 de janeiro de 2015
por: InfoRel
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Marcelo Rech



A indicação do ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), para o lugar do embaixador Celso Amorim, no ministério da Defesa, nem de longe agradou aos militares. A mensagem recebida por aqueles que conhecem o dia-a-dia da política é clara: a presidente quer apenas que o ministro mantenha os militares na linha, controlados e disciplinados.



Com um corte de R$ 8 bilhões em seu orçamento, a Defesa inicia 2015 com perspectivas não muito boas. O ministro terá pela frente, tarefas inglórias, mas acredita que poderá conquistar a tropa. Não quer ser lembrado apenas como alguém que ocupou o cargo para apagar incêndios.



Se Wagner conseguir superar todas as questões que envolvem a Comissão da Verdade e suas implicações, preservando o governo e mantendo as Forças Armadas longe de encrencas, críticas ou declarações inamistosas, já terá cumprido com seu papel. A presidente tem por ele grande apreço, principalmente por seu perfil conciliador, ainda que vários episódios na Bahia tenham passado a quilômetros de qualquer diálogo, como a crise com a Polícia Militar.



No entanto, ele sabe que a Defesa como parte de uma engrenagem que tem o desenvolvimento nacional como principal objetivo, reveste-se de um desafio tão complicado e difícil quanto apaixonante. No total, os projetos estratégicos das Forças Armadas preveem gastos da ordem de R$ 130 bilhões.



Não vai dar para conseguir dinheiro. Todo mundo teve de aceitar cortes já que o governo só agora – após as eleições, claro – admite que a situação da economia é bem pior que pensavam.



Jaques Wagner terá, então, que aliar a articulação política com criatividade. Buscar formas de envolver o setor privado que façam com que os projetos andem. Os custos de paralisar programas como do submarino nuclear, por exemplo, são inimagináveis. Custos econômicos e políticos.



Com o anúncio nesta quarta-feira, 7, dos novos comandantes, Jaques Wagner terá agora a oportunidade de conhecer desde dentro todas as necessidades das Forças Armadas. Aquelas que tomaremos conhecimento e principalmente, aquelas que não saberemos.



A escolha dos comandantes também não deixou de surpreender. Fora de qualquer especulação e bolsa de apostas, o general Eduardo Dias Villas Boas, irá substituir Enzo Peri que trabalhou por dois outros nomes. Villas Boas foi comandante militar da Amazônia e chefe da assessoria parlamentar do Exército. Embora possua um currículo invejável, apenas esses dois elementos já mostram que a principal prioridade para o Exército será muito bem contemplada e que o seu comandante agora é um militar que conhece o meio político, sabe como ele funciona, entende sua linguagem. Não é pouca coisa.



Na Aeronáutica, o chefe do Estado-Maior, brigadeiro Nivaldo Rossato assume. Seguiu-se uma tradição embora outros nomes tenham sido cogitados antes. Rossato é um militar exemplar e conhece profundamente o principal programa da Força Aérea Brasileira (FAB), o FX-2 que resultou na escolha do caça Gripen NG.



Na Marinha, pesou a influência do ministro Celso Amorim que trabalhou pela indicação do então diretor da Escola de Guerra Naval, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira. Um nome de peso para brigar pelos recursos e prioridades da Armada, principalmente o submarino nucelar.



No entanto, para que a maquinaria funcione de verdade, outras mudanças terão de vir. Não é apenas de dinheiro que as Forças Armadas precisam, mas também de prestígio por parte do governo, parceria com o Congresso Nacional e compreensão da sociedade. Entender o seu papel e sua importância para o país e o seu desenvolvimento é algo que não pode mais ficar preso ao passado.



Marcelo Rech é jornalista, especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa, Terrorismo e Contra-insurgência, Direitos Humanos nos Conflitos Armados, e diretor do Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa. E-mail: inforel@inforel.org.


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