Opinião

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29/08/2011
A Geórgia como um ´resort´ para terroristas
29/08/2011

As Relações Noruega-Brasil

As Relações Noruega-Brasil

Clóvis Brigagão e Elisa Carneiro

 

Em estado de choque a Noruega vive um dos piores momentos de sua história com a morte de cerca de 75 indivíduos em atentado terrorista de um jovem norueguês fanático e ultra-direitista.

 

O sonho acabou?

 

A Noruega é um país de 4,8 milhões de habitantes (com cerca de 22% de população de imigrantes) e tem o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais alto do mundo.

 

Entre outros fatores econômicos, é grande produtor de pescado e explorador de petróleo e gás.

 

O Brasil, parceiro estratégico por seu potencial petrolífero (pré-sal) e de outros setores de produção, compartilha com os noruegueses dos mesmos ideais e valores democráticos.

 

Ambos os países atuam nos organismos internacionais em conjunto, como nos projetos de cooperação na África e na reconstrução do Haiti.

 

Em 2010 foi lançado um plano estratégico (Estratégia Brasil) e com a crescente importância brasileira nos interesses noruegueses, sejam esses empresariais ou ambientais, o nosso país se tornou o maior parceiro da Noruega na América Latina com o aumento de visitas de autoridades norueguesas ao país.

 

O plano estratégico inclui cooperação na área de negócios, comércio, investimento, conhecimento, desenvolvimento social e sustentável, relacionado ao meio ambiente. Em 2011 inaugura-se o campo de petróleo Peregrino na Bacia de Campos, o maior operado pela Statoil – empresa estatal norueguesa que em 2012 será possivelmente a segunda maior empresa brasileira de petróleo.

 

Há também uma colaboração ambiental ativa para o fortalecimento das 22 Reservas Extrativistas em diversos estados da Amazônia Legal. O apoio do Governo Norueguês está estimado em 10 milhões de reais.

 

Haverá outras áreas que os dois países desenvolverão atividades conjuntas, como a psicultura e a produção de alimentos, de maneira que não impliquem na destruição das florestas e ampliem a produção agrícola. A própria colaboração em âmbito intelectual começa a ter frutos.

 

Um exemplo disso foi a organização, em março de 2011, do Seminário sobre Paz e Reconciliação, que abordou temas sobre a construção da Paz no Oriente Médio e Haiti.

 

Em termos numéricos, os investimentos noruegueses para o Brasil entre 2011 e 2013 passam dos US$ 70 bilhões e em 2010 a Noruega se torna o 7º investidor direto no país, em contraste com sua 24ª posição ocupada em 2006.

 

O investimento total feito até hoje é estimado em US$ 25 bilhões, efetuados em grande parte por meio da empresa Statoil e a gigante Hydro, fornecedora mundial de alumínio, que desde 1974 é parceira da Vale e detêm o controle dos campos de Paragominas, Alunorte, Albras e CAP. A Vale possui 22% das ações da gigante norueguesa.

 

O país escandinavo é o principal destino das exportações brasileiras de sua região geográfica, e o Brasil é seu segundo parceiro econômico nas Américas.

 

O crescimento dos investimentos e o aumento de fluxos comerciais entre ambas as nações é extremamente vantajoso.

 

No entanto, as relações culturais e científicas têm sido pouco exploradas. Como exemplo, apenas um brasileiro teve a honra de participar do Instituto Nobel como pesquisador convidado até os dias de hoje.

 

Assim, devemos enfatizar a necessidade de aumento desses intercâmbios. Espera-se que o ‘Estratégia Brasil’ priorize essa relação bilateral não apenas comercialmente, mas também e inclusive cultural e educacionalmente, como o proposto.

 

Clóvis Brigagão é cientista político e doutor em Assuntos Estratégicos pela UFRGS/PPGEEI, trabalha na Universidade Candido Mendes e é professor-visitante da UERJ. Elisa Carneiro é estudante de graduação do Curso de Relações Internacionais da ESPM RJ e membro do GAPCon/UCAM

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