Brasília, 18 de novembro de 2018 - 21h53

As relações Rússia – EUA e os mísseis na Polônia

22 de junho de 2010
por: InfoRel
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Marcelo Rech



 



O presidente russo, Dmitri Medvedev, estará em Washington, na próxima quinta-feira, 24, quando se reunirá mais uma vez com Barack Obama.



 



Estados Unidos e Rússia criaram uma Comissão Bilateral dirigida pelo chanceler Serguei Lavrov e a Secretária de Estado Hilary Clinton, para coordenar as ações dos 16 grupos de trabalho criados em 2009 pelos dois governos.



 



A Rússia busca, entre outras coisas, o apoio norte-americano para ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC).



 



Obama e Medvedev também voltarão a discutir a sincronização dos processos de ratificação por ambos os parlamentos do Tratado de Limitação e Redução de Armas Estratégicas, assinado em Praga, no mês de abril.



 



Ao que parece tudo caminha para uma nova relação entre antigos inimigos.



 



O mundo reagiu à eleição de Barack Obama com a expectativa de manter um novo relacionamento com os Estados Unidos.



 



No entanto, a retórica se sobrepôs e velhas práticas foram mantidas.



 



Na América Latina, há pouco para se comemorar.



 



Após agir de forma dúbia em relação à crise política em Honduras, os Estados Unidos decidiram implementar o acordo militar com a Colômbia que implica no uso de sete bases naquele país e no aumento do contingente militar na região.



 



Quanto ao Oriente Médio, estimularam Brasil e Turquia a dialogarem com o Irã para em seguida – após um acordo ter sido alcançado com Teerã – defender e aprovar um conjunto de sanções econômicas contra o país por conta do seu programa nuclear.



 



Além disso, decidiram instalar mísseis Patriot na Polônia distantes apenas 80 quilômetros da fronteira russa.



 



Uma decisão que pode afetar os entendimentos entre russos e norte-americanos que já firmaram um acordo sobre a redução do armamento nuclear, mas que compromete a confiança na região e não contribui com a segurança.



 



Estados Unidos e Polônia assinaram um acordo em 11 de dezembro de 2009 que previa a instalação dos Patriot nos arredores de Varsóvia e não na cidade de Morag.



 



Por ora, a reação russa fica por conta de um reforço na Frota do Báltico com armas de alta precisão.



 



O que percebemos é que o Barack Obama, cheio de boas intenções, não controla a direita belicista, conservadora e dona do complexo militar-industrial norte-americano.



 



A instalação desses mísseis e o deslocamento de tropas para a fronteira com a Rússia tem o Irã como desculpa. É o mesmo argumento utilizado para fazê-lo na República Checa e provavelmente na Romênia em breve.



 



Ou seja, apesar dos encontros e dos avanços nas relações bilaterais, as tensões crescem e a Europa se torna mais insegura.



 



A primeira bateria de mísseis Patriot na Polônia será operada por 150 militares norte-americanos. Os Estados Unidos garantem que as armas são defensivas e que a soberania dos países da região não está ameaçada.



 



Moscou entende que essas armas inseridas na doutrina de guerra preventiva não podem representar uma iniciativa pacífica.



 



A instalação de tropas e armas dos Estados Unidos no Leste Europeu, em parte, substitui o projeto “Guerra nas Estrelas”, patrocinado pelo então presidente Ronald Reagan para combater a “ameaça russa”.



 



A doutrina Obama é bem mais barata e pode ser muito mais eficiente, principalmente se o objetivo for manter a pressão militar sobre o território russo.



 



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. E-mail: inforel@inforel.org



 


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