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Polêmica
14/12/2014

Diplomacia

Atuação do Itamaraty é reprovada por renomados estudiosos das relações internacionais

Brasília – Especialistas renomados apontaram erros da atual política internacional adotada pelo governo do PT e demonstraram preocupação com a forma como a ideologia e a partidarização têm tomado conta da diplomacia brasileira. Foi durante o seminário promovido pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara (CREDN) na quarta-feira, 10, denominado “Rumos da Política Externa Brasileira” por requerimento do presidente da CREDN, deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG).

Para o sociólogo e comentarista de política internacional, Demétrio Magnoli, não é apropriado dizer que a política externa brasileira não possui um rumo. Segundo ele, há sim um norte – e este é o problema.

De acordo com o sociólogo, nos últimos 12 anos os interesses doutrinários e ideológicos foram colocados acima dos interesses nacionais. “A política externa brasileira se transformou num campo de política partidária. É a sua terceirização que explica a substituição dos interesses nacionais por uma ideologia, que gera uma verdadeira erosão moral”, afirmou.

A crítica foi imediatamente rebatida pelo assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, para quem as afirmações de Magnoli não passam de factóides.

Mas, Demétrio Magnoli usou como exemplo a postura do Brasil na recente crise no Oriente Médio. Ele disse que houve condenação por parte do Brasil de ataques israelenses na Faixa de Gaza, em contraposição ao silêncio no que diz respeito ao lançamento de foguetes pelo Hamas contra alvos civis israelenses.

Itamaraty

O embaixador Luiz Felipe Lampreia, vice-presidente emérito do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI) e ex-ministro das Relações Exteriores, afirmou que o Itamaraty está sendo “depenado constantemente” e vem perdendo suas funções.

Ele acredita que a ingerência da Presidência da República, por meio de sua assessoria para assuntos internacionais, nos temas inerentes ao Itamaraty é responsável pelo esvaziamento do MRE.

Lampreia acredita ainda que há uma tentativa de esvaziamento do órgão por parte do governo e no que diz respeito às relações comerciais, avaliou que o “Brasil se isolou muito”.

Magnoli disse que tais aspectos estão “diretamente relacionados a recusa do Brasil em realizar acordos comerciais”. Segundo ele, a ideologização da política externa tem atrapalhado o país nas relações comerciais.

“As parcerias com Estados Unidos e União Europeia hoje são rejeitadas por causa do viés ideológico, sendo que são essas as regiões que mais importam manufaturados do Brasil”, lamentou. Marco Aurélio Garcia negou que exista um “sentimento antiamericano”.

Roberto Teixeira da Costa, integrante do Conselho de Administração da Sul América S.A., lamentou que a política externa não tenha sido discutida na campanha eleitoral deste ano e afirmou que o Brasil está distante da inserção internacional porque as empresas brasileiras se preocuparam apenas com o mercado interno.

Para ele, um dos desafios, é conseguir uma aproximação entre as nações da América Latina “cada vez mais distantes, principalmente por seus regimes políticos”. Já o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães considera como uma das prioridades do país um assento efetivo no Conselho de Segurança da ONU. Outro desafio é a diversidade das exportações.

Na opinião de Eduardo Barbosa, o seminário foi de suma importância e defendeu que a discussão tenha continuidade no próximo ano uma vez que os desafios da política externa são contínuos e dependem de vários fatores.

Para o presidente da CREDN, é essencial acompanhar de forma constante que o Estado brasileiro faz no sentido de consolidar uma política externa condizente com a grandeza do país.

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