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29/07/2005
Minustah
03/08/2005

Tríplice Fronteira

Base militar norte-americana no Paraguai não preocupa Brasil

O ministério da Defesa rechaçou os termos da reportagem publicada pelo jornal paraguaio ABC Color, que em sua edição desta quinta-feira publicou reportagem sobre a realização de exercício de guerra realizados pelo Exército brasileiro na fronteira com o Paraguai.

Segundo o jornal, os exercícios tinham por objetivo, demonstrar a força e a presença militar brasileira na região próxima à Tríplice Fronteira.

Segundo a Assessoria de Comunicação do ministério, as Forças Armadas brasileiras realizam operações conjuntas com outros países, operações entre as forças e exercícios de adestramento próprios de cada força.

Além disso, o MD reconhece que os Estados Unidos e o Paraguai, mantêm acordo de cooperação com a presença de militares naquele país, o que é visto com normalidade.

O Centro de Comunicação do Exército informou ao InfoRel que a operação oi desenvolvida em um quadro de Segurança Integrada e não de Defesa Externa. Trezentos homens saltaram de pára-quedas de dois aviões C-130 Hércules, da Força Aérea Brasileira, para ocupar estrategicamente a subestação de Furnas Centrais Elétricas.

A manobra, garante o CECOMSEX, faz parte de um exercício de adestramento da Brigada de Infantaria Pára-quedista do Rio de Janeiro e do 34.º Batalhão de Infantaria Motorizado, de Foz do Iguaçu.

Segundo o general João Francisco Ferreira, comandante da Brigada de Infantaria Pára-quedista do Rio de Janeiro, trata-se de coincidência a presença de militares dos dois países numa área conflituosa como a Tríplice Fronteira. Ele afirmou que a presença de militares dos Estados Unidos no Paraguai é uma questão de política interna daquele país e que os exercícios estavam programados desde o ano passado.

Os Estados Unidos estão presentes na região com 200 soldados e têm autorização para permanecer no Paraguai até 31 de dezembro de 2006. Para o ministério da Defesa, isso não representa nenhuma ameaça à soberania nacional e o Brasil vai continuar respeitando o direito paraguaio de firmar acordos nessa área com qualquer país amigo.

Ainda segundo o CECOMSAEX, “o objetivo do exercício, chamado de Operação Relâmpago, é ocupar Furnas em Foz do Iguaçu para manter a integridade das instalações e a ordem interna e já estava na programação de adestramento da Brigada Pára-quedista desde o ano passado, sendo rotina em diversos pontos do País. A proteção de ITAIPU obedece aos planejamentos normais de defesa de Pontos Sensíveis importantes, desenvolvidos por cada país, separadamente, de acordo com sua doutrina”.

O Exército informou que não houve nos últimos anos a realização de exercícios conjuntos, com tropa no terreno, entre o Exército Brasileiro e o Exército Paraguaio.

Houve, no entanto, a participação conjunta dos dois países em exercícios de quadros [oficiais e sargentos], juntamente com outros países latino-americanos, versando sobre operações de manutenção da paz, sob a égide da ONU.

O Exército mantém, em Assunção, uma equipe de oficiais instrutores como cooperação militar com o Paraguai. Já o ministério da Defesa assegurou que nenhum militar norte-americano encontra-se no país, atuando em bases militares, e que a cooperação entre Brasil e Estados Unidos se dá no âmbito acadêmico com o intercâmbio de militares a partir das escolas de comando das forças.

A população de Foz do Iguaçu reagiu à presença militar norte-americana no Paraguai. Há temores de que os Estados Unidos estejam montando uma base militar na região como forma de intensificar o combate ao terrorismo a partir da Tríplice Fronteira.

Segundo militares brasileiros ouvidos pelo InfoRel, o ministério da Defesa acompanha a evolução dos acontecimentos justamente para evitar que a soberania nacional seja ameaçada.

O Congresso pretende obter maiores informações sobre a possível instalação de uma base militar dos Estados Unidos numa região paraguaia próxima da fronteira com o Brasil. Os deputados aprovaram requerimento para que os ministros José Alencar da Defesa, e Celso Amorim das Relações Exteriores, expliquem a questão na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados.

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