Avião cai no Haiti e mata militares da Minustah
09/10/2009
Missão de Paz: um laboratório de valor inestimável
14/10/2009

Missão no Haiti

Batalhão brasileiro é exemplo internacional

Marcelo Rech, de Porto Príncipe

No dia 28 de janeiro, o coronel Ajax Porto Pinheiro, 53, 36 anos de serviço, assume o comando do batalhão brasileiro no Haiti com a Força Leste, o 12º contingente, integrada por cerca de 1.300 militares do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Ele herdará um Haiti ainda extremamente pobre e carente de tudo, mas relativamente estável e seguro.

Durante uma semana, ele e o futuro Estado-Maior do Batalhão Haiti (BRABATT), percorreram diversos pontos da capital haitiana numa missão de reconhecimento.

Nesta terça-feira, 13, enquanto o Conselho de Segurança da ONU decidia prorrogar por mais um ano a missão no Haiti, ele e os futuros comandantes das tropas brasileiras estudavam como melhorar o desempenho no Haiti.

O treinamento e a instrução para aqueles que desembarcam na missão em três meses, poderá ser reorientado de acordo com a realidade atual do país.

De acordo com o coronel Ajax, que já serviu em missões de Paz na América Central, a estabilidade haitiana é bem frágil.

“O Haiti é como uma mina terrestre pronta para detonar. Desarmar essa mina não é atribuição da Minustah, mas responsabilidade dos países doadores”, afirmou.

Ele revelou que os militares da Força Leste foram os que tiveram a melhor avaliação física dentre todos os contingentes enviados ao Haiti e que apesar da sensação de segurança no país, a preparação é para o pior cenário.

Até janeiro, a tropa já terá disparado 190 mil tiros como parte do treinamento técnico.

“O que está dando certo no Haiti tem a ver com a cultura do soldado brasileiro. Ele sabe a hora de atirar e de chorar. Isso o Exército não precisa ensinar”, destacou.

Missões de Paz

Com 35 anos de serviço, o coronel Barnardes, 52, atual comandante do BRABATT já participou de três missões de paz. Esteve em Angola, em 1992, Haiti, 2004 e Haiti 2009.

Já destinado para o Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, ele afirma orgulhoso que o trabalho realizado pelas tropas do Brasil são reconhecidas internacionalmente.

“Todo mundo quer conhecer Cité Soleil e Bel Air e saber como pacificamos dois dos bairros mais violentos do Haiti e onde só se entrava com blindados. Hoje, as pessoas podem circular, há transporte e o trânsito funciona com alguma racionalidade”, destaca.

Para Bernardes, a importância política conferida pelo governo brasileiro à missão é perfeitamente compreendida pelos soldados. “O Canadá quer ter um pelotão trabalhando com o BRABATT”, revelou.

Na sua avaliação, os dois primeiros contingentes brasileiros não tinham o perfeito conhecimento sobre a realidade haitiana, os principais atores internos e o trabalho a ser realizado.

“A missão da ONU está no Haiti para assegurar a estabilidade e o diálogo, fundamentais para que haja o necessário desenvolvimento. Hoje, a vertente militar já é secundária e as prioridades são as conquistas sociais para o país”, afirmou.

Sobre um possível relaxamento dos soldados brasileiros diante de uma situação controlada, o coronel Bernardes é enfático: “O que foi conquistado deve ser mantido. Não podemos andar para trás. Os soldados não podem baixar a guarda”.

Ele entende também que não é momento das tropas deixarem o Haiti, pois a Polícia Nacional Haitiana (PNH), não está preparada para garantir os resultados alcançados.

Diante da possibilidade de o Brasil ser chamado a participar de outras missões de paz na Somália, Congo ou Sudão, ele assegura que “o Exército está preparado para assumir essas responsabilidades. Outras missões agregariam valor incalculável às Forças Armadas do país e a experiência do Haiti é fantástica”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *