Brasília, 13 de dezembro de 2018 - 07h50

Integração Energética

17 de julho de 2015
por: InfoRel
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Brasília – Os ministros de Minas e Energia do Brasil, Eduardo Braga, e de Hidrocarburos e Energia, Luis Alberto Sánchez, da Bolívia, assinaram nesta quinta-feira, 16, acordo para a integração elétrica binacional por meio de um adendo ao Memorando de Entendimento em Matéria Energética, firmado em La Paz, em 17 de dezembro de 2007. Pelo instrumento, será criado um Comitê Técnico Binacional para a geração e exportação para o Brasil, de aproximadamente 8 mil megawatts de energia.



“Este documento constitui um grande passo para a Bolívia. Realmente é um dia sonhado pelo setor elétrico. Vínhamos trabalhando com o Brasil há muito tempo por meio dos respectivos ministérios, a Eletrobras e a Empresa Nacional de Eletricidade (ENDE), para chegarmos a um final feliz”, explicou Luis Alberto Sánchez.



Para a Bolívia, o mercado brasileiro é o mais importante na região dada a demanda que tem por energia elétrica, com um crescimento anual do seu mercado interno de 7 mil megawatts. Neste contexto, a Bolívia se constitui num sócio estratégico por conta do seu potencial em matéria de geração, em especial por meio de hidroelétricas.



A criação do Comitê permitirá examinar possibilidades conjuntas nas áreas de interconexão elétrica, infraestrutura energética e aproveitamento de recursos hídricos, e contará com um representante titular e um suplente brasileiro e boliviano. Também estarão representadas no Comitê a Eletrobras e a ENDE, sua contraparte boliviana; e representantes dos ministérios de Relações Exteriores dos dois países.



De acordo com o ministério de Minas e Energia, entre as ações de cooperação previstas pelo termo está a promoção de intercâmbio tecnológico e de experiências no setor elétrico sobre o desenvolvimento sustentável de projetos hidroelétricos, sobre o manejo integral e sustentável de bacias de grande porte e interconexões internacionais. Estudos para avaliar a continuidade no fornecimento de gás natural boliviano para o Brasil também são contempladas.



O Comitê Binacional analisará os estudos para determinar o potencial das usinas de Cachuela Esperanza e Rio Madeira (binacionais); e de El Bala e Rositas (bolivianas), além de instalações termoelétricas.



Segundo Sánchez, “firmamos com o Brasil a continuação de um projeto de grande envergadura para a transmissão de cerca de 8 mil megawatts, o que significa consolidar a Bolívia como o Coração Energético da América do Sul”.



Na sua avaliação, o acordo foi possível graças aos contratos de exportação de gás que mantêm os dois países e que é cumprido rigorosamente. “Eles viram que estamos cumprindo e, com isso, estão seguros de que a Bolívia garante o cumprimento de seus contratos, por isso a confiança do Brasil em nosso país”, afirmou o ministro boliviano.



O conjunto de projetos hidroelétricos e termoelétricos em que os dois países irão trabalhar, terão capacidade para gerar cerca de 8 mil megawatts cujo destino é o mercado brasileiro que demanda um mínimo de 7 mil megawatts. “Trata-se de uma quantidade de megawatts gerados muito grande, o que converte o Brasil num mercado extremamente importante para a economia dos bolivianos”, reconheceu Sánchez.



Os estudos para a construção das hidrelétricas levarão cerca de dois anos e meio. Já para a construção das linhas de transmissão de energia elétrica serão mais 5 ou 6 anos. Cada hidroelétrica terá capacidade para gerar entre 500 e mil megawatts.



Investimento



Entre 2015 e 2025, a ENDE investirá US$ 27 bilhões apenas na geração de energia, sendo que US$ 1,6 bilhão já foram aprovados pelo Banco Central da Bolívia. Já a Eletrobras está disposta a colocar entre 49% e 100% no financiamento das hidroelétricas binacionais. Já em relação as usinas bolivianas, a estatal brasileira pretende ser sócia.



A Bolívia estima que em 2020 o país terá um excedente de 2,5 mil megawatts. Em 2023, a ideia é exportar entre 8 mil e 10 mil megawatts e em 2025, manter a exportação regular de 10 mil megawatts.



Nesta direção, a Bolívia tem firmado acordos com Argentina, Paraguai e Peru. Já em agosto, será anunciada a construção da linha de transmissão Bolívia – Argentina. Em seguida, será a vez da linha entre Bolívia e Paraguai, e por último, Bolívia – Peru.


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