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Bolívia ignora “golpe” e busca nova relação com o Brasil

Brasília – Na próxima segunda-feira, 30, os presidentes Evo Morales e Michel Temer se reunirão com o objetivo de relançar as relações bilaterais após o impeachment de Dilma Rousseff, de quem o boliviano era aliado. Morales chegou a retirar o seu embaixador em Brasília e acusou Temer de golpista, mas o pragmatismo acabou vingando.

De olho na renovação do contrato para a exportação de gás natural e na ratificação do Protocolo de Adesão da Bolívia ao MERCOSUL, ele decidiu reorientar a sua política em relação ao Brasil, único país do bloco que não concluiu a votação do acordo de ingresso boliviano ao bloco sul-americano.

Além disso, Morales quer o apoio de Temer ao projeto do Corredor Bioceânico Central, uma ferrovia que ligará o Porto de Santos (SP) ao Pacífico, cortando os territórios da Bolívia e do Peru. Trata-se de uma obra estimada em US$ 10 bilhões e que seria entregue à empresas chinesas.

Há duas semanas o chanceler boliviano esteve em Brasília para acertar os detalhes do encontro. Fernando Huanacuni também esteve em Buenos Aires para agendar uma visita de Evo Morales ao presidente Mauricio Macri no dia 28 de novembro.

A Bolívia quer ainda avançar nas negociações para a construção de duas usinas hidroelétricas binacionais no Rio Madeira e fechar um contrato para a exportação de uréia ao Brasil.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

Evo Morales subiu o tom quando o governo petista do qual era aliado caiu. Acusou Temer de conspirador e golpista e retirou o seu embaixador. O Brasil, adotando o princípio da reciprocidade, fez o mesmo e deixou sua embaixada em La Paz nas mãos de um Encarregado de Negócios.

Depois, a Petrobras anunciou que não tinha pressa alguma em negociar um novo contrato para a importação de gás. O atual vence em 2019. Apesar da importância do produto para a indústria do sudeste, o governo brasileiro entendeu que o gás boliviano não era tão essencial assim.

Mesmo contrariado, Evo Morales se viu sem alternativas. Ignorando suas próprias palavras, decidiu que era momento de reconciliar-se com Brasília. Além disso, a pressa guarda relação com as próximas eleições no Brasil. A possibilidade de um governo de esquerda chegar ao poder é mínima na visão boliviana. Já a tendência de vitória de um candidato hostil ao “bolivarianismo” seria grande.

Portanto, é melhor engolir o orgulho agora para assegurar seus interesses antes que algo pior – para a Bolívia – ocorra no Brasil.

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