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20/09/2016

Energia

Bolívia minimiza decisão do Brasil de reduzir importação de gás natural

Brasília – O governo boliviano minimizou a decisão do Brasil de reduzir a importação de gás natural em até 50% a partir de 2019 quando expira o atual contrato. La Paz entende que o Brasil depende tanto da importação do gás quanto a Bolívia necessita exportá-lo. O ministro da Economia, Luis Arce, e o embaixador boliviano no Brasil, José Kinn, respaldam essa avaliação.

Para o governo boliviano, a redução proposta revela apenas uma visão política dos atuais governantes brasileiros. Os dois países entraram em rota de colisão com a destituição da ex-presidente Dilma Rousseff quando Evo Morales retirou seu embaixador em Brasília, mas há uma tendência de normalização já a partir da próxima semana.

Por outro lado, a Bolívia assegura que está preparada e que diversificou sua economia a ponto de reduzir a dependência em relação à importação do gás pelo Brasil. A redução anunciada pelo governo brasileiro guarda relação com o interesse do país em investir em suas próprias reservas e controlar, futuramente, este mercado.

Como forma de resguardar-se, a Bolívia investe em projetos para a exploração de lítio e a industrialização do gás por meio de uma fábrica de ureia. Luis Arce também sugeriu que os empresários brasileiros sejam ouvidos a respeito para saber se estariam dispostos a prescindir do produto.

Já o embaixador José Kinn considera a informação “uma especulação mal intencionada”. Na sua avaliação, a tendência é que o Brasil busque aumentar o volume a ser importado.

Nesta segunda-feira, 19, autoridades dos dois países se reúnem em La Paz para discutir não apenas os termos do futuro contrato, mas também a exportação de energia elétrica e ureia pela Bolívia, a produção agropecuária e a construção do trem bioceânico. Segundo José Kinn, as relações bilaterais seguem apesar do impeachment de Dilma Rousseff.

Ideologia

Para o especialista em energia, Francesco Zaratti, o anúncio feito pelo Brasil terá duas consequências para a Bolívia. Uma muito ruim, pois põe fim à era dos contratos entre Estados, inclusive pelas más relações entre a Bolívia e seus vizinhos, “que o governo de Evo Morales tratou de ideologizar sem motivos e irresponsavelmente, e porque são novos tempos em que os contratos se firmam diretamente com as empresas privadas, com base nas regras do mercado”, afirmou.

Por outro lado, disse que a decisão brasileira, se confrimada, pode representar uma oportunidade para a Bolívia buscar novos compradores, “o que passa por repensar a institucionalidade do setor, pela promoção de mudanças na lei de hidrocarbonetos, da matriz energética e da política de subsídios à energia”, explicou Zaratti.

Ele apontou ainda o Chile como um desses novos marcados para o gás boliviano, não fosse a atual conjuntura política bilateral. “É preciso começar a ver de outra forma as relações bilaterais com os os vizinhos, não desde o ponto de vista político, mas também econômico e financeiro”, concluiu.

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