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08/08/2015
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22/08/2015

Ameaça

Bolívia não admitirá “golpe de Estado” no Brasil e na América Latina

Brasília – O presidente boliviano Evo Morales, afirmou nesta sexta-feira, 21, que “não se permitirá golpes de Estado no Brasil e na América Latina” e assegurou que o seu governo defenderá a democracia. “Pessoalmente, nosso processo vai defender a Dilma, presidente do Brasil e o Partido dos Trabalhadores (PT)”, afirmou em discurso proferido na Escola Militar de Tarata, Cochabamba.

Na avaliação do líder boliviano, as marchas contra o governo, a corrupção e a crise econômica não passam de um golpe orquestrado pela direita e os imperialistas.

Evo Morales destacou que a crise é gerada pelos meios de comunicação, mas caso haja outros interesses na desestabilização da presidente, garantiu que “se defenderá a democracia, porque na região, já não estamos em tempos de oligarquias ou hierarquias”.

Segundo ele, “esperemos que somente seja uma questão midiática esse golpe de Estado no Brasil, mas é nossa obrigação defender os processos democráticos e a democracia e especialmente os processo de libertação sem ingerência externa”, assinalou.

Embaixada em La Paz

As críticas do presidente boliviano poderão repercutir na sabatina do embaixador Raimundo Rocha Magno, que será realizada pela Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional do Senado, no dia 3 de setembro. Ele aguarda a aprovação do seu nome desde 2013 quando o processo foi congelado por conta da fuga do ex-senador Roger Pinto Molina que permaneceu asilado na embaixada brasileira por quase dois anos.

A fuga e os malentendidos foram determinantes para a queda do então chanceler Antônio Patriota. Demitido, ele foi “punido” com o cargo de chefe da missão brasileira nas Nações Unidas.

Raymundo Rocha Magno segue na Romênia e a ideia é que após a sabatina, ele tenha seu nome ratificado pelo Plenário no dia 16 de setembro e possa assumir o posto em La Paz até o final de 2015.

O último embaixador do Brasil na Bolívia, Marcel Biato, também foi punido na crise gerada pela fuga de Pinto Molina. Indicado para chefiar a missão do Brasil na Suécia, ele teve seu nome retirado pela presidente Dilma e hoje ocupa um cargo burocrático no Itamaraty.

A aprovação do nome de Rocha Magno se dará, segundo vários senadores, por conta de um acordo que envolve a concessão do status de refugiado para Roger Pinto Molina. O governo de Evo Morales havia pedido a extradição do político. De acordo com informações do seu advogado, ele já teria recebido o refúgio por parte do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare).

Com a decisão, o Senado não criará problemas para Raymundo Rocha Magno assumir o cargo em La Paz. Por outro lado, o embaixador da Bolívia no Brasil, Jerjes Justiniano, na eminência de ser demitido do cargo, renunciou e o país também está sem chefe de missão em Brasília.

Demanda marítima

O ex-presidente da Bolívia, Jorge Tuto Quiroga, entregou nesta quinta-feira, 20, o “Livro do Mar” ao presidente do PSDB e ex-candidato presidencial, Aécio Neves (MG). O livro compila a luta boliviana por reaver o acesso ao mar em sua demanda contra o Chile que tramita na Corte Internacional de Justiça de Haia.

A Bolívia já conta com o apoio de Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela. O governo brasileiro prefere não se posicionar temendo represálias de La Paz quanto à exportação do gás natural que abastece as indústrias do Sul e Sudeste.

Quiroga esteve ainda com o vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC) e com o presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). O objetivo é angariar apoio político para a Bolívia e impactar a decisão da Corte de Justiça.

O ex-presidente também passará por Colômbia e México onde terá vários encontros com autoridades e congressistas. 

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