Brasil

Diplomacia
04/11/2016
Economia & Política
08/11/2016

Energia

Bolívia negocia participação do Brasil em projeto do Trem Bioceânico

Brasília – Apesar de considerar ilegítimo o governo do presidente Michel Temer e de criticar o que chama de “golpe parlamentar” no Brasil, o líder boliviano Evo Morales negocia com o vizinho a sua participação na construção do Trem Bioceânico que ligará os oceanos Atlântico e Pacífico e que já conta com o respaldo do Peru.

Evo Morales tratou do assunto com o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho. Deixando de lado o tom hostil, ele pediu que “à margem do tema energético irmão ministro do Brasil, quero que você transmita ao irmão presidente, ao seu governo que estamos com uma grande integração estratégica e construção de caminhos e ferrovias. Sabem muito bem, Brasil, Bolívia e Peru, quanto ganhariam com a ferrovia bioceânica”, explicou.

O presidente da Bolívia e o ministro brasileiro participaram de um evento que marcou a assinatura de quatro acordos de integração energética entre os dois países, em Santa Cruz.

Na sexta-feira, 4, no II Gabinete Binacional Bolívia – Peru, realizado em Sucre, foi assinado um memorando de entendimento que estabelece prazos e tarefas para transformar em realidade o trem bioceânico que inclui a construção de quatro corredores de integração e uma ferrovia que unirá os dois oceanos.

Morales lembrou que o projeto vem sendo discutido desde a gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Felizmente, após muitas gestões já está em processo esta integração. Estou convencido que esta ferrovia ligando os portos de Santos e de Ilo passando pela Bolívia, será o Canal do Panamá do século 21, e se repassamos a nossa história, seria o Caminho Inca deste século”, afirmou Morales.

Ainda segundo ele, Bolívia e Brasil devem trabalhar juntos como países vizinhos, apesar das diferenças ideológicas.

“Como irmãos vizinhos estamos obrigados a trabalhar conjuntamente, respeitando as nossas diferenças ideológicas, é um direito ser pró-capitalista, pró-imperialista ou antiimperialista, é um direito dos povos que elegem quem são os seus presidentes, mas indiferentemente disso, estamos obrigados a trabalhar”, defendeu.

Cooperação energética

Nesta segunda-feira, 7, o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho, esteve em Santa Cruz para a assinatura de quatro acordos de integração energética com a Bolívia. “Saúdo a cooperação entre as nossas empresas, entre a Eletrobras e a ENDE, Petrobras e YPFB. Essa integração resultará em benefício para todo o povo brasileiro e todo o povo boliviano”, afirmou.

Coelho considerou transcendental o momento para a agenda bilateral e se disse convencido da importância em se fortalecer a integração energética entre os dois países. Ainda segundo ele, o Brasil vive momentos de mudança, cujo pilar que a sustenta é o crescimento econômico com justiça social e respeito ao meio ambiente.

“O ministério de Minas e Energia está seguindo essas premissas, estamos buscando o fortalecimento de nossas empresas públicas, através da maioria das associações e da excelência de seus dirigentes e os resultados já são visíveis”, assegurou.

Investimentos

Entre os acordos assinados em Santa Cruz, a estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) e a Petrobras firmaram um contrato de exploração de hidrocarbonetos nos campos de San Telmo e Astilleros, no município de Bermejo de Tarija, com um investimento inicial de US$ 1,2 bilhão. O contrato terá duração de 40 anos e a YPFB Chaco terá 40% dos direitos em San Telmo e a Petrobras Bolívia, 60%. Na área de Astillero, a Petrobras Bolívia fica com 40% e a YPFB Chaco com 60%.

De acordo com o ministro de Hidrocarbonetos e Energia da Bolívia, Luis Sánchez, os investimentos irão garantir a ampliação do contrato de compra e venda de gás com o Brasil. A previsão é que sejam econtrados quatro trilhões de pés cúbicos recuperáveis, o que permitiria a produção de 14 milhões de metros cúbicos diários de gás.

Entre 2019 e 2026, a Bolívia espera incrementar a produção até atingir 74 milhões de metros cúbicos diários.

Estudo

Também nesta segunda-feira, 7, a Corporação Andina de Fomento (CAF), assinou um convênio de cooperação não reembolsável de US$ 600 mil com a Empresa Nacional de Eletricidade (ENDE) e a Eletrobras para financiar um estudo hidroelétrico na central binacional do Rio Madeira.

Eduardo Paz, presidente da ENDE, afirmou que “este é um primeiro estudo de identificação da pré-factibilidade da central binacional do Madeira. Os estudos são de maneira imediata”. No entanto, o estudo completo demandará um investimento mínimo de US$ 7,5 milhões que será completado pelas duas empresas. ENDE e Eletrobras também conformarão um comitê binacional para realizar o primeiro estudo na bacia do Madeira e seus afluentes.

A CAF aprovou em julho a cooperação técnica não reembolsável para apoiar os projetos hidroelétricos e a integração elétrico-energética entre Bolívia e Brasil no Rio Madeira, que poderá produzir cerca de 3 mil megawatts de energia que serão divididos em 50% para cada país.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *