Brasília, 01 de outubro de 2020 - 13h05
Bolívia reconhece o fortalecimento do narcotráfico voltado para Brasil e Paraguai

Bolívia reconhece o fortalecimento do narcotráfico voltado para Brasil e Paraguai

27 de julho de 2020 - 14:16:40
por: Marcelo Rech
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Brasília – O governo da Bolívia reconhece que o narcotráfico está cada dia mais forte e voltado para o Brasil e o Paraguai. O diagnóstico feito pelo ministro do Governo, Arturo Murillo, sobre a situação no país em torno do problema do narcotráfico, indica que a produção de drogas se espalhou por todo o território nacional e a culpa pelo fenômeno é debitada na conta do Movimento Socialista (MAS), partido do ex-presidente Evo Morales. De acordo com Murillo, o MAS promoveu a expansão do tráfico ilícito de substâncias controladas durante os 14 anos de sua gestão.

Ele também garantiu que o consumo interno "aumentou muito", embora não apoie essa declaração com números e reiterou que há produção de drogas em toda a área de Chapare. Além de falar sobre a expansão do narcotráfico em todo o país e o aumento dos consumidores locais de alcaloides, Murillo afirmou, com força, que os "voos de drogas" partem para Beni todos os dias e, de lá, seguem para o Brasil e o Paraguai.

“Todos os dias há voos que partem para o Brasil e o Paraguai, infelizmente são poucos os que podemos pegar, não temos aviões ou helicópteros. Temos equipes escassas, mas mesmo assim estamos combatendo”, explicou. O presidente da Brigada Parlamentar de Beni, Wálter Roque (vice do MAS em Trinidad), não ficou surpreso com o diagnóstico.

Segundo ele, o tempo todo existem aeronaves leves que passam por seu departamento e que contam com o apoio das autoridades atuais que permitem o pouso desses aviões para reabastecimento. "Os atuais ministros não podem dizer que não sabem o que está acontecendo, porque permitem a si mesmos", disparou Roque.

"Na estrada asfaltada que vai de San Joaquín a Guayará, aviões leves pousam a qualquer momento, porque a estrada é larga e há trechos onde ninguém mora a vários metros de distância. Tudo vem aí, narcotraficantes e contrabandistas”, explicou o deputado. Além disso, é comum a presença de criminosos peruanos, colombianos e brasileiros naquela região.

As declarações sobre Beni feitas por Murillo são apoiadas por dados estatísticos apresentados no documento Estratégia Nacional Contra o Tráfico de Drogas e a Economia Ilegal das Drogas, que ele apresentou no fim de semana em Cochabamba, onde se indica que mais de 70% da pasta base de cocaína confiscada até o final de fevereiro de 2020 no país estava em Beni.

Os dados não são menores, considerando que até o ano passado Cochabamba era a região onde a maioria da pasta base de cocaína foi apreendida e também onde mais fábricas de drogas foram destruídas. Neste departamento os agentes de drogas intervieram e destruíram 640 fábricas, das 841 afetadas em todo o país. As fábricas em Cochabamba representaram quase 80% dos dados nacionais.

Cartéis mexicanos

Arturo Murillo também se referiu à presença de integrantes dos cartéis mexicanos na Bolívia. De acordo com ele, desde que a presidente Jeanine Ánez, assumiu o cargo, esses líderes têm abandonado o país. "Os chefes dos cartéis saíram quando Jeanine assumiu o poder e declarou tolerância zero ao narcotráfico, mas eles têm suas armas operacionais que continuam a funcionar", afirmou Murillo.

Fontes de inteligência antinarcóticos confirmam a atuação, na Bolívia, de pelo menos um comando do Cartel Jalisco Nueva Generación. A situação não é melhor nas prisões onde há luta pelo poder entre membros das organizações brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho.

“O PCC e o Comando Vermelho são os mais fortes e têm disputado as prisões e territórios na Bolívia. São pessoas muito perigosas que também são defendidas por consórcios de advogados e juízes que devem ser investigados, a maioria deles ligada aos políticos do MAS”, assegurou Murillo.