Brasília, 16 de janeiro de 2019 - 17h27
Bolsonaro admite Base Militar dos Estados Unidos no Brasil

Bolsonaro admite Base Militar dos Estados Unidos no Brasil

04 de janeiro de 2019
por: Marcelo Rech
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Brasília – O presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta quinta-feira, 3, que o Brasil poderá receber no futuro uma Base Militar dos Estados Unidos destinada a colaborar com o país no combate à criminalidade organizada.

Nesta sexta-feira, 4, durante a posse do novo comandante da Aeronáutica, ele reiterou o desejo. “O que eu tenho conversado internamente, outros países, interesses, em outros países aqui da América do Sul, e nós temos que nos preocupar com a nossa segurança, com a nossa soberania e eu tenho o povo americano como amigo”, afirmou.

O comentário do presidente não passou desapercebido na oposição. Partidos de esquerda, principalmente, já se articulam para tratar do assunto logo na reabertura dos trabalhos do Poder Legislativo, em 1º de fevereiro. A previsão é que chovam requerimentos de convocação dos ministros da Defesa, general Fernando Azevedo, e do GSI, general Augusto Heleno.

Além disso, devem ser retomadas a discussão e a polêmica em torno do uso pelos norte-americanos do Centro de Lançamentos de Alcântara (MA). As negociações para um acordo de salvaguardas tecnológicas entre Brasília e Washington tiveram início no governo de Michel Temer. A oposição acredita que os dois assuntos estão conectados.

No dia 2, Bolsonaro e os ministros das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; da Defesa, general Fernando Azevedo; do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno; e da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, se reuniram com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo. Mais cedo, ele já havia mantido encontro com o chanceler brasileiro no Itamaraty

Na agenda, o futuro das novas relações entre os dois países. A área de Defesa e Segurança é uma das prioridades para os dois governos. Desde os acordos de paz na Colômbia, os Estados Unidos procuram formas de manter presença militar na região, inclusive por meio da agência antidrogas, a DEA.

Acordo Boeing-Embraer

Ainda na Base Aérea de Brasília, Jair Bolsonaro foi perguntado se apoiará o acordo entre a brasileira Embraer e a norte-americana Boeing - que prevê a criação de uma nova companhia, uma joint venture, na qual a Boeing teria 80% e a Embraer, 20% -. Ele se disse favorável à aliança, mas ter preocupações com o futuro da empresa.

“Seria muito bom essa fusão, mas nós não podemos, como está na última proposta, que daqui a cinco anos tudo seja repassado para o outro lado. Nossa preocupação é essa, é um patrimônio nosso”, explicou.