Relações Exteriores

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Colômbia

Brasil acompanhará libertação de reféns das Farc

Argentina, Brasil, Bolívia, Cuba, Equador e França aceitaram enviar representantes à Venezuela de onde partiram para a selva colombiana para acompanhar a entrega de três reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), num acordo firmado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez.

Os aviões da Venezuela deverão sobrevoar o espaço aéreo colombiano com os emblemas da Cruz Vermelha. Somente no final da noite desta quarta-feira, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, aceitou a proposta de Chávez a quem tinha afastado das negociações com a guerrilha.

O representante brasileiro será o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que embarcou no início desta tarde para Caracas. Antes da viagem, Garcia esteve reunido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também conversou diversas vezes por telefone com o colega Hugo Chávez.

O assessor da Presidência estará acompanhado por um diplomata, Hélio Cardoso, e vai conferir na selva, em local secreto, a entrega dos reféns pelos guerrilheiros colombianos.

Para Garcia, o gesto da guerrilha vai melhorar a imagem das Farc em todo o mundo. Ele afirmou ainda que Lula lhe pediu para agir com cautela e fazer tudo “direitinho”.

Junto com o brasileiro estarão, pela Venezuela, o ex-ministro do Interior e da Justiça Ramón Rodrigo Chacín, responsável pela coordenação da operação; pela Argentina, o ex-presidente Nestor Kirchner; por Cuba, o embaixador na Venezuela Germán Sánchez Otero; pelo Equador, o ex-ministro do Interior Gustavo Larrea; e pela França, o embaixador na Venezuela Hadelin de la Tour-du-Pin. O presidente da Bolívia, Evo Morales, designou um representante que não teve o nome anunciado.

Antes de embarcar, Marco Aurélio Garcia afirmou que Clara Rojas e seu filho de três anos, e a ex-deputada Consuelo Gonzáles, devem ser libertados nesta sexta-feira.

Clara Rojas era assessora e candidata a vice-presidente da Colômbia, na chapa da ex-senadora Ingrid Betancourt, que também é refém da guerrilha. O filho de Clara é de um guerrilheiro e a ex-deputada Consuelo Gonzáles foi seqüestrada em 2003.

Sinal verde

Para garantir a libertação dos três reféns com a concordância do governo colombiano, o presidente Hugo Chávez enviou o vice-chanceler da Venezuela para a América Latina e Caribe, Rodolfo Sanz, à Bogotá.

Sanz expôs o plano de Chávez ao ministro das Relações Exteriores da Colômbia e ex-refém das Farc, Fernando Araújo. Na oportunidade, deixou um documento detalhado sobre a operação.

Chávez fez questão de tornar público o resgate para evitar problemas com Uribe, mas por segurança disse apenas que os seqüestrados serão entregues em algum lugar próximo ao município de Villavicencio, no estado de Meta.

O presidente da Venezuela explicou que nas negociações com as Farc, descartou a entrega dos reféns em locais clandestinos por conta dos riscos à segurança dos envolvidos.

A participação do Brasil

No dia 10 de dezembro, em Buenos Aires, os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Colômbia, Álvaro Uribe, trataram do tema por ocasião da posse da presidente argentina Cristina de Kirchner.

O assessor Marco Aurélio Garcia participou da conversa e afirmou que Lula havia reiterado a disposição do Brasil de participar de um esforço internacional pela libertação dos reféns em posse das Farc.

Na oportunidade, Álvaro Uribe detalhou as iniciativas do seu governo quanto a um acordo humanitário com as Farc. Lula e Uribe conversaram na embaixada brasileira em Buenos Aires e Lula teria dito que trataria do assunto assim que a Colômbia apresentasse uma proposta para a participação do Brasil nesse esforço.

Ao final do encontro, Marco Aurélio Garcia não quis comentar os detalhes da conversa e disse apenas que o assunto seria tratado de forma discreta. Há duas semanas, o presidente Lula afirmou num encontro com os jornalistas que cobrem o Palácio do Planalto que “não estava otimista nem pessimista” quanto a libertação de reféns da guerrilha.

No início do ano, Lula recebeu um apelo da mãe de Ingrid Betancourt, Yolanda Pulencio, para que mediasse a liberação da filha com os guerrilheiros. Mais recentemente, foi o presidente francês, Nicolas Sarkozy, quem escreveu ao presidente brasileiro pedindo que o Brasil colaborasse com um acordo humanitário.

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