Brasília, 01 de abril de 2020 - 17h33
Brasil apoia Plano de Paz para solucionar conflito israelense-palestino

Brasil apoia Plano de Paz para solucionar conflito israelense-palestino

29 de janeiro de 2020 - 16:21:15
por: Marcelo Rech
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Brasília – O governo brasileiro informou, por meio de nota emitida pelo Ministério das Relações Exteriores, nesta quarta-feira, 29, que apoia o Plano de Paz e Prosperidade, proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para solucionar o conflito entre Israel e Palestina. De acordo com a nota, a proposta “configura uma visão promissora para, após mais de sete décadas de esforços infrutíferos, retomar o caminho rumo à tão desejada solução do conflito israelense-palestino”.

Historicamente, o Brasil respalda a chamada “solução de dois Estados”, um israelense e um palestino, coexistindo em paz, o que significa a criação de um Estado Palestino com base nas fronteiras estabelecidas antes do conflito de 1967, a Linha Verde, que delimita a Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental, que os palestinos reivindicam como sua capital.

O então líder palestino Yasser Arafat, apresentou uma Declaração de Independência em 1988 que, pela primeira vez, evocava "dois Estados para dois povos". Em seguida, reconheceu o Estado de Israel e sua soberania sobre 78% da Palestina histórica. Este reconhecimento é aceito pela Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que reúne todos os movimentos palestinos, exceto os islâmico Hamas e a Jihad Islâmica em Gaza.

Para o Brasil, a proposta, que visa à convivência pacífica e viável, tanto do ponto de vista de segurança quanto territorial e econômico, do Estado de Israel e de um Estado palestino, constitui um documento realista e ao mesmo tempo ambicioso. A nota considera que “trata-se de iniciativa valiosa que, com a boa-vontade de todos os envolvidos, permite vislumbrar a esperança de uma paz sólida para israelenses e palestinos, árabes e judeus, e para toda a região”.

O Itamaraty destaca ainda que “a visão ali detalhada contempla aspirações tanto de palestinos quanto de israelenses, incluindo aspectos fundamentais como a erradicação do terrorismo, a existência do Estado de Israel com segurança para sua população, o estabelecimento de um Estado palestino democrático e comprometido com a paz, a viabilidade territorial, e a criação das condições econômicas indispensáveis para uma grande elevação do bem-estar do povo palestino”.

Neste sentido, “o governo brasileiro exorta tanto israelenses quanto palestinos a considerar o plano com toda a seriedade e a iniciar negociações partindo das bases ali expostas”, diz a nota. O atual presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, já deixou clara a sua posição contrária à proposta que não será apoiada pelos palestinos.

Donald Trump assegurou ainda que, se os palestinos aceitarem o plano, haverá um investimento comercial de US$ 50 bilhões, que geraria, segundo ele, 1 milhão de empregos para os palestinos nos próximos dez anos. "Nossa visão encerrará o ciclo de dependência palestina da caridade ou ajuda internacional", garantiu.

Trump revelou ter enviado uma carta ao presidente Abbas, e fez um apelo: "Quero que você saiba que, se escolher o caminho da paz, os Estados Unidos e muitos outros países estarão aqui por você, vamos o ajudar de muitas maneiras”, destacou.

Para o Brasil, o plano dos Estados Unidos “se afigura compatível com os princípios constitucionais que regem a atuação externa do Brasil, notadamente a defesa da paz, o repúdio ao terrorismo e a autodeterminação dos povos. Desse modo, o Brasil estará pronto a contribuir com o processo de construção da paz, das maneiras que se afigurarem mais adequadas”, conclui o documento.