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Política Externa

Brasil aposta na Coréia do Norte para influir na Ásia

Brasília – O Brasil está decidido a influenciar politicamente na Ásia e aposta no estreitamento das relações com a Coréia do Norte para ocupar um papel de destaque na região. Para o Itamaraty, o país é vítima do desconhecimento sobre as suas intenções e capacidades, inclusive militares.

A Coréia do Norte é rica em recursos naturais – o país possui grandes reservas de magnesita, carvão, tungstênio, grafite, molibdênio, barita, minério de ferro e fluorita – e o Brasil pretende investir em obras de infraestrutura e alavancar o comércio bilateral.

Em outubro de 2010, o país enviou uma missão de cooperação técnica a Pyongyang com representantes do Itamaraty e da Embrapa que vai trabalhar o melhoramento da soja norte-coreana para o consumo interno e a exportação.

Também no ano passado, o Brasil doou US$ 400 mil em ajuda humanitária à Coréia do Norte por meio do Programa Mundial de Alimentos.

Na visão do ministério das Relações Exteriores, a Coréia do Norte paga um preço alto por seu isolamento político. Pyongyang tem uma ideologia própria não-alinhada com Moscou ou Pequim, avalia o Itamaraty.

Rússia, China, Estados Unidos e Japão, são os principais atores na Península Coreana e a forte presença militar norte-americana na vizinha Coréia do Sul, impede que Pyongyang aceite qualquer tipo de desarmamento.

A região tem a maior concentração de poderio militar do mundo e Seul não acredita na reunificação nos próximos 20 anos.

Na prática, esperava-se que a Coréia do Norte e Cuba desaparecessem após o fim da União Soviética.

Cenário

Para a diplomacia brasileira, a Coréia do Norte tenta reduzir sua dependência da China e mira na Rússia, mas também tem interesse no Brasil por conta da sua política externa independente.

Pyongyang apóia o ingresso do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e votou a favor da candidatura do Rio de Janeiro para sede dos Jogos Olímpicos de 2016 e em José Graziano para o cargo de diretor-geral da FAO.

Informe do Itamaraty diz que o Brasil “tem ajustado sua interlocução com a Coréia do Norte de acordo com o comportamento do país asiático no campo internacional, mantendo diálogo fluido nos momentos de normalidade e adotando posição cautelosa quando se acirram as relações do país com a comunidade internacional”.

O Brasil acredita na potencialidade das relações bilaterais num quadro de estabilização peninsular. Caso isso ocorra, a Coréia do Norte poderá integrar-se de maneira muito mais intensa à cadeia econômica asiática e servir de ligação viária com a Rússia e a China.

Além disso, o Itamaraty acredita que em 15 de abril de 2012, o líder norte-coreano Kim Jong-il poderá transferir o poder ao filho mais jovem, Kim Jong-un, promovido em 2010 a general de quatro estrelas.

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