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11/05/2015
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11/05/2015

Estratégia

Brasil arranca acordo com a Argentina e prioriza o Comércio Exterior

Brasília – Os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro, arrancaram um acordo automotivo com a Argentina para substituir o atual que vence em junho, em reunião com o chanceler argentino Héctor Timmerman e o ministro da Economia, Axel Kicillof. Em reunião realizada no Itamaraty, os dois países também decidiram acelerar as negociações em torno de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.

Segundo Armando Monteiro, “concordamos em que queremos apresentar a oferta do Mercosul à União Europeia e instá-los a que apresentam a sua”. Ele lembrou que as negociações se arrastam há mais de dez anos. Monteiro destacou que, até junho deste ano, o Mercosul apresentará suas ofertas à União Europeia para que se reiniciem as negociações comerciais entre os dois blocos. “Há uma posição harmonizada intrabloco. Vamos apresentar nossas ofertas para que a UE também possa fazer sua oferta de modo que não fique, nem de longe, a impressão de que o Mercosul não tem posição harmonizada”, explicou.

Sobre a renovação do acordo automotivo, afirmou que “o setor representa cerca da metade do comércio bilateral e há convergência no sentido de prorrogá-lo”. A prorrogação poderá ser de um ano ou mais, tudo vai depender das próximas reuniões que as partes realizarão.

Já o ministro da Economia da Argentina, Axel Kicillof, revelou que os quatro conversaram sobre todos os temas da agenda bilateral, incluindo questões financeiras. Mesmo sem entrar em detalhes, explicou que o objetivo maior é fortalecer e respaldar a integração produtiva entre ambos.

Ele aproveitou para agradecer o apoio recebido do Brasil em relação à briga argentina contra os chamados “Fundos Abutres”. Para o chanceler Hector Timmerman, “agradecemos a solidariedade que o Brasil tem expressado em todos os fóruns internacionais e insisto que os organismos multilaterais precisam entender que há que se buscar uma saída para esse problema”.

Diálogo

Para Monteiro, as conversas foram bastante produtivas, com destaque para a convergência de opiniões das duas delegações acerca da prorrogação do acordo automotivo. “Temos uma posição absolutamente convergente sobre a importância do comércio bilateral no setor automotivo, uma vez que os dois países têm metade do comércio, nas duas direções, centrado neste tema. No curto prazo, há sim convergência sobre a importância da prorrogação do acordo, que é, na nossa avaliação, um acordo extremamente bem equilibrado”, afirmou.

O ministro do Desenvolvimento afirmou também que a prorrogação do acordo automotivo deverá ser celebrada nos mesmos termos do atual, mas que ainda será definido o prazo.

Comércio Exterior

No dia 6 de maio, em audiência pública na Câmara dos Deputados, o ministro Armando Monteiro defendeu o aumento das exportações como um caminho essencial para a retomada do crescimento do país. Segundo ele, “é preciso conferir um novo status ao comércio exterior”. A audiência foi promovida pelas comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; e de Relações Exteriores e de Defesa Nacional.

O ministro defendeu ainda que o ajuste fiscal deve ser feito com rapidez, como condição essencial para recuperar o equilíbrio macroeconômico, pré-condição para o Brasil retomar o crescimento econômico em bases sustentáveis.

Para ele, o comércio exterior, nesse cenário, seria um caminho óbvio para esta retomada. Ele lembrou que as exportações podem se constituir em uma alternativa importante para manter o nível de atividade das empresas no país. "O Brasil nunca conferiu ao comércio exterior o status e a importância que deveria. Somos o 7º PIB do mundo e apenas o 25º país exportador. O Brasil responde por apenas 1,2% do comércio internacional", ressaltou.

Armando Monteiro revelou também que o MDIC lançará ainda neste mês um plano nacional de exportação e o assunto deve ser encarado como "prioridade absoluta". “Nós precisamos melhorar as condições de acesso ao mercado, precisamos de uma política comercial mais ativa e pragmática”, afirmou. Outro foco do MDIC será a construção de uma nova política industrial que foque em aumento da produtividade.

"A indústria vem perdendo sua participação no PIB. Não podemos aceitar um processo precoce de desindustrialização", disse, em referência à crescente importação de manufaturados pelo Brasil.

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