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14/06/2005
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14/06/2005

Projeto Corot

Brasil assina acordo com a França para pesquisa de planetas

A participação brasileira no Projeto Corot foi oficializada nesta terça-feira, em Paris, com a assinatura de um acordo entre a Agência Espacial Brasileira [AEB], e o Centro Nacional de Estudos Espaciais da França [CNES].

Liderado pela França, o Projeto Corot visa à pesquisa de planetas fora do Sistema Solar e ao estudo da sismologia das estrelas, mediante um satélite que entrará na órbita da Terra em agosto de 2006.

Um dos compromissos do Brasil será coordenado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais [Inpe] e consistirá na recepção de dados do artefato espacial por uma antena localizada na Base de Lançamentos de Alcântara [MA], fundamental para o melhor aproveitamento da missão.

“Antes, iríamos observar 40 mil estrelas; agora, serão 60 mil, o que aumenta ainda mais a chance de descobrirmos novos planetas”, ressaltou o presidente do Comitê Corot-Brasil, Eduardo Janot, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas [IAG] da Universidade de São Paulo [USP]. A outra antena de recepção ficará na Europa.

Segundo o documento, o Brasil deverá realizar operações de manutenção da estação durante a missão Corot, prevista para durar pelo menos dois anos e meio, além de contribuir para o desenvolvimento do segmento solo na França e na Espanha, mediante a cessão de pesquisadores e cientistas brasileiros.

Além disso, o país vai participar de programas de cooperação complementares no solo com astrônomos brasileiros.

A centralização dos dados recebidos em Alcântara será feita pelo centro de missão brasileiro do Corot, em Natal [RN], e repassados para o CNES, que os distribuirá aos parceiros do projeto: Bélgica, Alemanha, Áustria, Espanha, Itália, Inglaterra, Agência Espacial Européia [ESA] e Brasil.

Segundo os termos do acordo, o Brasil terá direito a indicar representantes para o comitê gestor do Corot, que toma decisões sobre o projeto quanto à data de lançamento do satélite, por exemplo, e para o comitê científico.

No total, mais de 80 especialistas brasileiros de órgãos governamentais e universidades estão envolvidos no Projeto, dos quais cinco encontram-se na França, trabalhando diretamente com as equipes estrangeiras, inclusive naquela responsável pela construção do satélite.

A missão inédita do Corot tem animado os pesquisadores brasileiros, que terão acesso aos dados coletados pelo satélite. “O Corot é um satélite muito especial porque permitirá descobrir, pela primeira vez na história da humanidade, planetas semelhantes à Terra”, afirma Janot.

Esta tarefa será desempenhada por meio da detecção de diferenças no brilho de estrelas devido ao trânsito de planetas, como ocorre durante um eclipse.

O refinamento tecnológico do satélite é tão alto que, fazendo um paralelo entre em termos quantitativos, é como se o Corot fosse capaz de encontrar uma variação de 1cm em 1km.

Essa preciṣo faz com que o Corot possa ver planetas rochosos Рpequenos se comparados aos planetas normalmente descobertos pela via tradicional, que utiliza o m̩todo da perturba̤̣o gravitacional.

Para se ter uma idéia, dos cerca de 150 planetas catalogados, “quase 140 são gigantes gasosos”, diz Eduardo Janot. “Só em planetas rochosos é que a vida pode se desenvolver. É excitante pensar que poderemos descobrir planetas com condições de abrigar vida como se deu aqui na Terra”, completou.

As instituições brasileiras ligadas ao Projeto Corot são o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais [Inpe], Observatório Nacional, Laboratório Nacional de Astrofísica, as universidades federais de São Paulo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, e as universidades estaduais de Feira de Santana [Bahia]e estadual de São Paulo [Unesp].

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