Brasília, 04 de agosto de 2020 - 16h35
Brasil, Austrália e países da UE pedirão a reforma da OMS

Brasil, Austrália e países da UE pedirão a reforma da OMS

11 de junho de 2020 - 16:14:06
por: Marcelo Rech
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Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, informou nesta terça-feira, 9, que um grupo de países, incluindo Brasil, Austrália e membros da União Europeia, irão propor uma investigação sobre as decisões da Organização Mundial da Saúde (OMS) como primeiro passo para que seja implementado um processo de reforma do organismo. Araújo disse que há, por parte da OMS, “falta de independência, de transparência e de coerência nos posicionamentos e orientações sobre aspectos essenciais” no enfrentamento à pandemia de Covid-19.

Ernesto Araújo citou, por exemplo, informações sobre a origem do novo coronavírus, o compartilhamento de amostras, o contágio por humanos, modos de prevenção, quarentena, uso da hidroxicloroquina, indumentária de proteção e transmissibilidade por assintomáticos. “Em todos esses aspectos, a OMS foi e voltou [na recomendação], às vezes mais de uma vez, e isso nos causa preocupação”, enfatizou, durante reunião ministerial coordenada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Na avaliação do ministro, o problema é sistêmico, e não acidental, e deve ser investigado mesmo durante a pandemia. “Cada dia, essas decisões e esse vai e vem prejudicam os esforços de todos os países”, argumentou.

Na semana passada, o presidente Bolsonaro também criticou a organização e disse que o governo brasileiro poderia até deixar a entidade que, de acordo com ele, atua "com viés ideológico". No fim de maio, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a saída do país da OMS, congelando repasses que o governo norte-americano faria ao organismo.

Bolsonaro fez referência à controvérsia causada por pesquisas conduzidas pela OMS sobre a hidroxicloroquina no tratamento do novo coronavírus. A organização acabou retomando os estudos com o medicamento, após aplicar uma suspensão dos testes por 10 dias. Em 8 de junho, a OMS também afirmou que a transmissão da Covid-19 por pessoas sem sintomas da doença, como febre ou tosse, parece ser "rara", voltando atrás logo em seguida.

A epidemiologista e principal responsável técnica da resposta à Covid-19 da OMS, Maria van Kerkhove, frisou que há diferença entre assintomáticos e pré-sintomáticos, que são as pessoas que vão desenvolver algum sintoma da doença. Ao falar do tema, a epidemiologista ponderou a capacidade de testagem e rastreio de pacientes pelos gestores de saúde e argumentou que a contenção da transmissão da doença pode ser mais rápida com a localização e o isolamento dos casos sintomáticos.