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Brasil cobra apoio dos EUA para reforma da ONU

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O presidente norte-americano Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira estar ansioso para que a Índia integre como membro permanente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A declaração surpreendeu o Brasil que há mais de uma década trabalha de forma quase obsessiva para alcançar este posto.

Informado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que o Brasil espera que os Estados Unidos contribuam para que o Conselho seja aberto a outros países.

Ao minimizar o anúncio, Lula lembrou que os Estados Unidos representam apenas um dos cinco membros permanentes. Segundo ele, o Brasil tem o apoio da França, Reino Unido e China.

O presidente recordou ainda que a Índia tem o apoio do Brasil e que juntos integram o BRIC e o IBAS.

Agenda

O apoio dos Estados Unidos à pretensão indiana é parte da agenda bilateral discutida pelos líderes dos dois países.

Diante da reação mundial, o Departamento de Estado informou que o apoio de Obama diz respeito ao futuro uma vez que a ampliação do Conselho de Segurança é algo impossível no médio prazo.

Além disso, Obama afirmou que os Estados Unidos não pretendem impor um acordo para que Índia e Paquistão resolvam suas pendências, mas que está disposto a exercer qualquer papel para que os riscos de um conflito na região inexistam.

Análise da Notícia

Marcelo Rech

Surpreende que o anúncio feito por Barack Obama na Índia tenha surpreendido o governo brasileiro.

A reação mostra um Itamaraty lento em relação à dinâmica da política internacional.

O Brasil de Lula sempre se acreditou melhor do que realmente é.

Os constantes afagos ao presidente como expressão de liderança criaram um mau costume.

Além disso, a fama de bom moço do presidente caiu por terra definitivamente após sua visita a Cuba no dia em que um dissidente político era enterrado, em fevereiro.

Isso sem contar sua aliança com Teerã e a insistência em desconhecer o governo de Honduras, temas que para os Estados Unidos são chaves para se avaliar o comportamento de seus pares.

Os Estados Unidos sabem que o Brasil de Lula jamais será seu melhor amigo.

Aos norte-americanos interessa um Lula interlocutor, capaz de fazer chegar aos colegas bolivarianos, as mensagens de Washington.

A Índia é um país nuclear incrustado numa região de altíssimo valor estratégico.

Além disso, Obama precisa urgentemente de um êxito em política externa para diminuir a sensação de fracasso que enfrenta sua administração.

No final das contas, para o Departamento de Estado, o Brasil está muito longe de ser um ator suficientemente importante para tal.

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