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19/08/2016
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19/08/2016

Política

Brasil convoca embaixador do Uruguai e crise no MERCOSUL parece não ter fim

Brasília – O ministério das Relações Exteriores convocou nesta terça-feira, 16, o embaixador do Uruguai no Brasil, Carlos Amorin, para prestar esclarecimentos sobre as declarações feitas pelo chanceler daquele país, Rodolfo Nin Novoa, à Comissão de Assuntos Internacionais da Câmara dos Deputados, de que o Brasil teria tentado comprar o voto do Uruguai para impedir a Venezuela de assumir a presidência pro tempore do MERCOSUL.

À tarde, Amorin foi recebido pelo Secretário-Geral do Itamaraty, Embaixador Marcos Galvão. O diplomata manifestou o descontentamento do Brasil e cobrou explicações. No final da noite, o MRE divulgou uma nota em que reforça a contrariedade com as declarações de Novoa.

No dia 10, o chanceler uruguaio falou aos deputados que José Serra prometeu incluir o Uruguai num esforço comercial na África e Irã. De acordo com a posição do governo brasileiro, a proposta não guarda nenhuma relação com a crise do MERCOSUL.

Segundo a nota, “durante a visita ao Uruguai, o ministro José Serra também tratou com o presidente Tabaré Vázquez e com o chanceler Nin Novoa do potencial de aprofundamento das relações entre o Brasil e o Uruguai e de oportunidades que os dois países podem e devem explorar conjuntamente em terceiros mercados. O Brasil considera o Uruguai um parceiro estratégico”, diz o texto.

Já o ministro Rodolfo Nin Novoa afirmou que “não gostamos muito que o chanceler Serra tenha vindo ao Uruguai com a pretensão de que fosse suspensa a transferência (da presidência do MERCOSUL) e que, além disso, se a proposta fosse aceita, incluiríam o Uruguai em suas negociações com outros países, como querendo comprar o nosso voto”, revelou.

Ainda de acordo com o chanceler Novoa, o presidente Tabaré Vázquez sustentou “clara e rotundamente que o Uruguai cumpriria com a normativa e que iria transferir o comando do bloco”. O ministro disse também que Brasil e Paraguai têm como objetivo fazer bullying com a Venezuela.

“Digo com todas as letras. Se ignoram o jurídico, o corpo normativo, aduzindo razões que não estão nas regras, querem eludir, erosionar, fazer bullying com a presidência da Venezuela. Essa é a pura verdade”, concluiu.

Para o Brasil, “o teor das declarações não é compatível com a excelência das relações entre o Brasil e o Uruguai”. O fato é que as declarações do ministro uruguaio mergulham o MERCOSUL em uma crise que não parece ter fim.

Serra assegura que Venezuela não presidirá o MERCOSUL

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, assegurou nesta terça-feira, 16, que a Venezuela não presidirá o MERCOSUL. Ao crtiticar o presidente Nicolás Maduro, o chanceler brasileiro afirmou que “todos podem estar seguros de que a Venezuela não vai presidir o bloco”.

Além de questionar as credenciais democráticas do governo venezuelano, o Brasil reclama que Caracas não cumpriu com as suas obrigações legais como membro pleno, deixando de adotar normas, resoluções e tratados no âmbito do MERCOSUL. O prazo final para a adoção de toda a normativa terminou em 12 de agosto. No dia 23, os coordenadores nacionais do MERCOSUL voltam a se reunir para buscar uma solução que ponha fim ao impasse e à crise que atinge o bloco.

Argentina, Brasil e Paraguai, não reconhecem a presidência venezuelana e defendem a formação de um grupo colegiado de embaixadores para torcar o bloco até dezembro quando a presidência rotativa caberá à Argentina. Esta alternativa não é aceita pelo Uruguai, único dos países fundadores que segue alinhado com Caracas. Para Brasil e Paraguai, a presidência do MERCOSUL está vacante.

Outra possibilidade seria retirar da Venezuela a condição de membro pleno do MERCOSUL até que o país internalize cerca de 400 normas políticas, comerciais e de direitos humanos, para confirmar sua adesão ao bloco. A Venezuela teve quatro anos para fazê-lo, sustentam Argentina, Brasil e Paraguai.

Em nota, o governo venezuelano assegurou que não só implementou a maior parte das normas como fez muito mais que alguns países fundadores do MERCOSUL. O ministério das Relações Exteriores diz ainda que “Argentina, Brasil e Paraguai reeditam a Tríplice Aliança caracterizados pelo golpismo, extremismo e intolerância, desconhecendo o direito ao desenvolvimento dos povos que conformam este mecanismo de integração produtiva e comercial”.

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