Brasília, 17 de novembro de 2018 - 05h54

Submarino

20 de julho de 2009
por: InfoRel
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O ministério da Defesa considera equivocadas as informações veiculadas recentemente na imprensa, sobre o programa de desenvolvimento do submarino de propulsão nuclear brasileiro, que será realizado em parceria com a França.

Na avaliação do MD, as comparações entre a parceria com a França e a proposta anterior da empresa alemã HDL, para o modelo IKL-214, são indevidas.

Para o ministério da Defesa, os dois projetos não são comparáveis. A proposta alemã previa apenas a construção de dois submarinos convencionais (propulsão diesel-elétrica), sem evolução para um submarino de propulsão nuclear, pois a Alemanha não os produz.

Além disso, não haveria transferência de tecnologia de projeto, nem de manutenção. Já a proposta francesa, da DCNS, inclui a construção, no Brasil, de quatro submarinos convencionais Scorpène.

Na avaliação do governo brasileiro, a parceria com a França capacitará o paà­s no desenvolvimento de um submarino nuclear, com a transferência das tecnologias de construção, de projeto e de seus sistemas de combate.

Além disso, a proposta inclui o projeto e a construção de um estaleiro dedicado à  fabricação de submarinos convencionais e nucleares e de uma base naval, capaz de abrigá-los.

No acordo com a França, a parte nuclear do submarino será integralmente nacional, desenvolvida pela Marinha em programa de pesquisa e de desenvolvimento iniciado na década de 70.

“A Alemanha não transfere tecnologia de projeto nem de manutenção dos submarinos. Na construção dos atuais submarinos que o Brasil opera (IKL-209), a “seção de vante” (proa), onde ficam os tubos de lançamento de torpedos, veio pronta da Alemanha e a manutenção dos sistemas de combate (sonares, sistema de direção de tiro, etc.) só é feita com a presença de técnicos alemães”, esclarece o MD.

Estaleiro

O ministério da Defesa informou que a construção de um estaleiro e de uma nova base, em Sepetiba (RJ), para os submarinos nucleares, está prevista pela Marinha desde 1993 e não foi uma imposição do governo francês.

“Considerar que essas obras seriam desnecessárias, implica ignorar que submarinos de propulsão nuclear só podem ser construà­dos em estaleiros a isso dedicados e que atendam a requisitos tecnológicos e ambientais bastante especà­ficos, que, hoje, não são atendidos por nenhum dos estaleiros existentes no Brasil. Além disso, a atual base dos submarinos convencionais, na Baà­a de Guanabara, sequer tem profundidade para um submarino de propulsão nuclear”, explicou o ministério da Defesa.

O governo explicou ainda que não caberia licitação da obra, tendo em vista a necessidade de sigilo do projeto (plantas de instalações nucleares militares, não passà­veis da divulgação pública exigida por uma licitação).

Scorpène

O casco do Scorpène já tem o desenho tà­pico de um submarino de propulsão nuclear e emprega tecnologia desenvolvida no projeto do submarino “Barracuda”, a nova classe de submarinos nucleares de ataque franceses, ainda em construção, o que facilita a evolução para o submarino nuclear brasileiro.

A Marinha também dispõe de informações que comprovariam a satisfação da Armada Chilena com os Scorpène convencionais, operados por aquele paà­s.

Por outro lado, no contrato com a França, o à­ndice de nacionalização chega a 20%, representando a fabricação, no Brasil, de mais de 36 mil itens por submarino, inclusive sistemas complexos, além da transferência de tecnologia para empresas nacionais.

“Já há mais de trinta companhias brasileiras homologadas e diversas outras em processo de habilitação. Eventuais sobressalentes são adquiridos diretamente de quem os fabrica, o que reduz os custos”, esclarece o ministério da Defesa.

O programa de submarinos no Brasil

“O acordo Brasil-França deve ser visto com uma etapa de um programa iniciado pela Marinha do Brasil há três décadas, com o objetivo de capacitar o paà­s a construir submarinos de propulsão nuclear, não sendo, portanto, uma simples operação de compra de novas máquinas.

Ao mesmo tempo em que desenvolvia a tecnologia de um reator para propulsão nuclear do submarino, no final da década de 70, a Marinha iniciou um programa de construção de submarinos convencionais no Brasil, mediante o acordo com a HDW, alemã.

Dos cinco submarinos previstos naquele acordo, modelo IKL-209, o primeiro foi construà­do na Alemanha e os quatro últimos fabricados no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro (AMRJ).

O Tikuna é o mais moderno desse grupo. Apesar dos avanços obtidos pelo Brasil com a parceria alemã, ainda faltava ao paà­s desenvolver a tecnologia de projetos e de manutenção desses equipamentos, e a evolução para o tão necessário submarino de propulsão nuclear.

Por essa razão, o Brasil buscou parcerias que permitissem esse novo e fundamental passo em nossa estratégia de Defesa.

O acordo com os franceses permitirá que a construção de cada um dos quatro submarinos convencionais seja a subida de um degrau, rumo à  construção do submarino de propulsão nuclear, com a capacitação tecnológica adquirida”,
afirma o ministério da Defesa.

A importância do Submarino Nuclear para o Brasil

Enfatiza o ministério da Defesa: “A Estratégia Nacional de Defesa prioriza a capacidade de negar o uso do mar nas cercanias de nosso território como elemento essencial de defesa.

O Brasil necessita tanto de submarinos convencionais quanto de propulsão nuclear para executar essa missão prioritária e proteger seu litoral, inclusive a área do pré-sal, além da própria região amazônica.

Para a proteção da extensa linha de fronteira marà­tima que temos o submarino com armamento convencional e propulsão nuclear é elemento essencial nessa estratégia.

O projeto deixará também como legado a transferência de tecnologias vitais, de uso dual, que aumentarão ainda mais a competitividade da indústria brasileira, fortalecendo um dos principais objetivos da Estratégia Nacional de Defesa, que é integrar-se cada vez mais à  estratégia nacional de desenvolvimento”.

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