Brasília, 18 de novembro de 2018 - 13h33

Brasil defende diálogo do Irã com agência atômica

19 de fevereiro de 2010
por: InfoRel
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Em maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ao Irã onde se encontrará com Mahmoud Ahmadinejad. A expectativa da comunidade internacional gira em torno do que poderão conversar sobre o programa nuclear iraniano.



O Brasil defende que o país desenvolva energia nuclear para fins pacíficos e descarta apoiar sanções como querem os Estados Unidos, a União Européia e até mesmo a Rússia.



Além disso, para o governo brasileiro a proliferação nuclear só pode ser combatida com desarmamento.



“A verdadeira não proliferação só ocorrerá quando houver desarmamento. Não queremos que haja uma proliferação de armas nucleares”, afirmou o chanceler Celso Amorim.



O ministro das Relações Exteriores, que defende a aproximação brasileira com o Irã, elogiou a proposta da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).



A AIEA quer que Teerã negocie o fornecimento do combustível nuclear com outras nações.



Para Celso Amorim, o Irã não pode despertar o temor da comunidade internacional sobre seu programa de enriquecimento de urânio.



“Por isso, é necessário o acordo. Nós achamos que o acordo proposto pela agência é uma base adequada”, destacou.



Na sua avaliação, o impasse é fruto da falta de diálogo entre as partes.



 “Se o presidente Ahmadinejad disse que está disposto a produzir urânio levemente enriquecido e a comprar produtos estrangeiros, é necessário conversar. Em um mês, resolvem-se essas dificuldades”, afirmou.



O ministro anunciou que em breve o diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, virá ao Brasil, mas não revelou o que será discutido.



“Queremos contribuir para o diálogo, porque o Irã é uma das situações que inspiram cuidado no mundo”, concluiu.





Análise da Notícia



Marcelo Rech



Ao manter sua posição de apoio ao Programa Nuclear iraniano, o Brasil coloca em risco as conquistas de sua política externa nos últimos anos.



Trata-se de um risco que a diplomacia parece disposta a correr.



O Brasil é um dos poucos países que dialogam com o regime iraniano e manter esse canal de conversação aberto é uma das prioridades do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.



Para o Itamaraty, as polêmicas em torno do enriquecimento de urânio resultam da falta de diálogo.



Na visão da diplomacia brasileira, não há acordo de paz no Oriente Médio sem a participação do Irã.



Como o país tem interesse em jogar um papel protagonista na região, manter em alto nível as relações com o Irã é algo primordial.



Pelo menos na visão do ministério das Relações Exteriores.



Comercialmente, o Irã é irrelevante para a balança comercial brasileira, mas do ponto de vista político, um ator prioritário.



Lula estará no país em maio, mas antes, em março, visitará Israel e Palestina.



Ele e seu governo acreditam que o Brasil reúne condições de negociar a paz pelo simples fato de não discriminar ninguém e de sentar-se à mesa com todos sem imposições.



Para muitos analistas, nada justifica a posição brasileira. O país só tem a perder.



O apoio ao Irã poderia até mesmo comprometer o projeto de assumir uma cadeira como membro permanente num futuro Conselho de Segurança ampliado.



Como já dissera o ministro Celso Amorim, “não se pode ganhar sempre”.



Por outro lado, se o tempo mostrar que a jogada do Brasil foi acertada, essa pretensão poderá ganhar muito mais relevância.



O certo é que o Brasil não está ao lado do Irã por ingenuidade ou burrice.



Marcelo Rech é jornalista, editor do InfoRel e especialista em Relações Internacionais, Estratégias e Políticas de Defesa e Terrorismo e contra-insurgência. Correio eletrônico: inforel@inforel.org



 





 

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