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Integração Militar

Brasil defende maior cooperação em Defesa na América do Sul

Brasília – O ministro da Defesa, Celso Amorim, propôs a ampliação da cooperação em Defesa na América do Sul e uma maior integração neste campo entre todos os países da região. Em aula magna que proferiu na Escola Militar do Chile, em Santiago, Amorim defendeu o diálogo e a negociação para que a região supere eventuais divergências.

Na sua avaliação, os temas de Segurança e Defesa não podem ficar de fora da pauta da integração regional. Celso Amorim está no Chile desde a última sexta-feira, 23, para uma visita de cinco dias.

Nesta segunda-feira, 26, ele tem encontro de trabalho com seu homólogo chileno Andrés Allamand e o vice-presidente chileno Rodrigo Hinzpeter. Amorim também receberá diplomatas e representantes do governo chileno em jantar oferecido em sua homenagem pelo embaixador do Brasil no Chile, Frederico Cezar de Araújo.

Segundo ele, “a prosperidade e a segurança de cada um de nossos países são indissociáveis da prosperidade e da segurança de todos”.

Celso Amorim falou para um auditório repleto de militares, com cerca de 600 participantes do curso conjunto das academias de guerra chilenas, além de agregados militares de vários países.

Ao discorrer sobre a Estratégia de Defesa do Brasil e América do Sul, ele defendeu a idéia de que a cooperação militar regional, nos mais variados níveis, pode aprofundar o sentido de uma unidade sul-americana, com benefícios para a estabilidade e a prosperidade de toda a região.

Tendo como exemplo a indústria de defesa, explicou que a construção do avião cargueiro KC-390 é uma iniciativa brasileira que conta com a participação de outros países, inclusive da América do Sul, o que reforça o modelo de integração tecnológica e industrial.

“A complementaridade não é o único benefício de projetos como esse. Trata-se de construir e aprofundar confiança, renovar mentalidades e expandir associações estratégicas”, assegurou.

Identidade

O ministro da Defesa destacou que a integração entre os países sul-americanos deve ser alicerçada na transparência das ações e na orientação para a preservação da paz e observou que o subcontinente caminha para ser uma comunidade de segurança, na qual a guerra é impensável como método de solução de controvérsias.

De acordo com Amorim, “nossa reflexão sobre o papel da América do Sul no sistema internacional deve estar fundamentada na identidade democrática e não conflitiva que distingue nossa região”.

Ele lembrou o compromisso regional de manter a América do Sul como zona livre de armas nucleares.

Por outro lado, alertou para a importância de a América do Sul “estar ciente da necessidade de dissuasão em nível regional”, devido a seus vastos recursos energéticos, minerais, vegetais, humanos, de água e de biodiversidade.

“A História nos ensina que a possibilidade de que os ativos de nossa região se tornem objeto de competição e cobiça internacional não pode ser descartada, por mais pacíficas que sejam nossas orientações políticas e por mais voltados que estejamos para o diálogo e a negociação como métodos de solução de conflitos”, explicou.

Na sua avaliação, “ser pacífico não significa ser desarmado”. E afirmou que é prudente que os países da região preparem suas forças de modo a tornar o custo de eventuais agressões proibitivo.

“Estamos dirigindo esforços para equipar e adestrar satisfatoriamente nossas Forças Armadas. Queremos fazê-lo de forma crescentemente integrada com nossos sócios e parceiros da UNASUL e, na medida do possível, da América Latina e do Caribe”, garantiu.

Amorim permanece na capital chilena até a próxima terça-feira, 27, quando comparecerá à abertura da FIDAE 2012 (Feira Internacional do Ar e do Espaço), maior feira de aviação da América Latina.

Fronteira

Os ministros da Defesa do Brasil e do Chile, também discutirão temas vinculados à proteção das fronteiras. O Chile tem especial interesse em conhecer os projetos implementados pelo Brasil principalmente na Amazônia.

Recentemente, o ministro Andrés Allamand recebeu em Santiago, o Comandante Militar da Amazônia, general Eduardo Dias Villas-Bôas, com quem discutiu os problemas enfrentados pelo Brasil ao longo de quase 17 mil quilômetros de fronteiras.

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