Brasília, 12 de dezembro de 2018 - 15h55

Terrorismo

07 de dezembro de 2014
por: InfoRel
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Brasília – O Brasil deve perceber o Terrorismo global como um fenômeno cada vez mais próximo na medida em que ocupa e desempenha um papel mais relevante na esfera internacional. A afirmação é do doutor Fernando Reinares, investigador principal de Terrorismo do Real Instituto Elcano, de Madri, Espanha.



Ele abordou o assunto na aula magna proferida na abertura do Seminário “O Brasil no Mundo: deveres e responsabilidades”, realizado em 2 de dezembro pelo Instituto InfoRel de Relações Internacionais e Defesa em parceria com a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, a Fundação Konrad Adenauer, a União Europeia e o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).



De acordo com Reinares, o Terrorismo pretende afetar a estrutura de distribuição do poder, muito além dos estados-nacionais. “O Terrorismo global é um fenômeno mais atual, tem cerca de 25 anos e está diretamente relacionado com uma forma extremista de entender um credo religioso”, afirmou.



Segundo ele, até setembro de 2001, falar de Terrorismo Internacional era falar de Al Qaeda, organização fundada por Osama bin Laden em 1988, inspirada em uma ideologia que justifica moral e utilitariamente os seus atos terroristas, de perfil salafista yihadista, muito violento.



“Precisamos entender que uma coisa é o Islã como religião e outra o islamismo como ideologia”, advertiu. Para Reinares, o Terrorismo com este perfil é marcado por ações extremamente mortíferas, excludentes, antirracionais e belicosas.



O especialista alertou ainda para os erros cometidos por governos e organizações multilaterais que, após o 11 de Setembro, consideraram a organização terrorista Al Qaeda eliminada.



“Na verdade, a Al Qaeda teve de abandonar o santuário que tinha no Afeganistão e migrar para o Magreb, Iraque e outros lugares da Península Arábica. Teve de readaptar-se a um ambiente hostil e logrou êxito. Descentralizou-se e viu orbitar sob sua aura mais de 30 outras organizações e centenas de milhares de células independentes”, explicou.



O segundo erro cometido pela comunidade internacional em relação à organização veio com a Primavera Árabe que para muitos marcava o fim não apenas do grupo de bin Laden, morto em seguida no Paquistão, como do Terrorismo Yihadista.



Para Fernando Reinares, o Brasil precisa estar atento para a propagação da ideologia Yihadista em seu território e na região, principalmente com aqueles que deturpam os valores do Islã com fins políticos e belicosos. “Pelo menos uma associação mulçumana no Brasil define Yihad como combate e violência e com isso nega o seu verdadeiro significado que é esforço pessoal por viver de acordo com as regras do Islã”, afirmou.



Estado Islâmico



Fernando Reinares destacou também que a Al Qaeda e o Estado Islâmico devem travar uma disputa por poder no norte da África e chamou a atenção para o rápido crescimento do EI que já conta com 30 mil militantes dos quais metade é comporta por estrangeiros. Há ainda, segundo ele, outros três mil radicais do grupo espalhados pela Europa, sobretudo na França, Alemanha, Reino Unido, Bélgica e Dinamarca.



“O Estado Islâmico oferece muito mais àqueles que ingressam em comparação com o que oferece a Al Qaeda e pesa muito essa coisa do califado embrionário no Iraque e na Síria. Para piorar, não há como definir um perfil para aqueles que se somam à organização. Há de tudo um pouco, inclusive acadêmicos e estudiosos europeus bem sucedidos”, revelou.



Reinares enfatizou que o Estado Islâmico possui US$ 2 bilhões obtidos por meio do comércio de petróleo e gás, do contrabando, extorsões e sequestros e já atrai seguidores no Egito, Líbia e Filipinas.


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