Brasília, 10 de dezembro de 2018 - 08h00

Tecnologia Estratégica

06 de agosto de 2015
por: InfoRel
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Brasília - O secretário de Política de Informática do ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Virgilio Almeida, definiu o desenvolvimento científico e tecnológico como um dos pilares para a ciberdefesa e a cibersegurança, na abertura do seminário Desafios para um Brasil Digital Seguro, realizado pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha (AHK), nesta quarta-feira, 5.



Segundo ele, “basicamente, as empresas constroem seus mecanismos de segurança olhando no retrovisor, observando os ataques passados. Mas para se ter ambientes mais seguros para o futuro, à medida que a sociedade se torna cada vez mais conectada, é necessário termos capacidade de antever, de prever certas questões. E aí entra a importância da ciência e tecnologia para esse problema”, afirmou.



Na sua opinião, além do desenvolvimento científico e tecnológico, questões de cibersegurança dependem da combinação com outros dois pilares: defesa e governança. "O primeiro ponto são as estruturas e os mecanismos do governo e do Estado para a proteção das informações críticas do país, coordenadas no Brasil pelo ministério da Defesa e pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República", explicou.



O embaixador da Alemanha, Dirk Brengelmann, recordou seu trabalho com o Brasil em 2013 e 2014, quando ocupava o cargo de encarregado do governo alemão para Políticas Externas Cibernéticas. "Os dois países debateram a função dos serviços de inteligência e a proteção da privacidade, por exemplo, no âmbito das Nações Unidas, e o resultado desse processo foi a NETmundial (Encontro Multissetorial Global Sobre o Futuro da Governança da Internet), em abril de 2014", destacou. "Internacionalmente, abriu-se um novo procedimento, o chamado princípio multissetorial, com o qual contribuem todos os envolvidos."



Para o embaixador, é fundamental que se equilibre segurança e privacidade: "Todos nós precisamos nos proteger de ataques criminais de terroristas e hackers, mas também, ao mesmo tempo, defender os direitos de nossos cidadãos e das nossas empresas", advertiu. "Para proteger a sociedade, o governo tem que ter acesso a dados, sem se esquecer de respeitar limites. E essa questão vale tanto para órgãos públicos como para empresas de grande porte."



Segundo ele, a vinda da chanceler Angela Merkel ao Brasil ainda neste mês, poderá resultar em vários acordos bilaterais na área cibernética. "Queremos dar continuidade à estreita cooperação com o Brasil", reiterou Brengelmann.



Virgílio Almeida lembrou que o MCTI mantém parcerias para estimular projetos de pesquisa conjuntos com a União Europeia e os Estados Unidos: "Naturalmente, esse seminário pode estimular uma terceira colaboração."



Vulnerabilidade



Virgilio citou dados de 2014 da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), constatando que mais da metade dos 46 bilhões de transações financeiras realizadas no país no ano passado ocorreram pela internet – 12% do total por meio de dispositivos móveis, como smartphones e tablets. "E a tendência é que esse percentual aumente, assim como a vulnerabilidade do sistema", disse.



De acordo com o secretário, com base nos dados da Febraban, os bancos brasileiros investiram em 2014 US$ 11,9 bilhões em tecnologias da informação e comunicação (TIC). "Isso mostra a vitalidade do setor de cibersegurança e ciberdefesa, economicamente e em termos da inovação", destacou.



O vice-presidente da AHK, Thomas Timm, enumerou ameaças como clonagem de cartão de crédito e o caso de uma falha de segurança que provocou, nas últimas semanas, um recall de 1,4 milhão de veículos das marcas Chrysler, Dodge, Fiat e Jeep, para atualização de um software, após hackers acessarem sistemas críticos dos carros, como direção, freio e transmissão.



"Essas dificuldades já falam por si só a respeito da importância do tema", comentou. "Hoje, nós estamos entrando numa área que realmente é uma necessidade, não só para as pessoas físicas, mas principalmente para as empresas."



Em painel sobre os desafios do Brasil no ciberespaço, o chefe da Assessoria de Acompanhamento e Avaliação do MCTI (Ascav), Luiz Fernando Fauth, afirmou que "a cada dia, a nossa vida se torna mais dependente da internet. Nós a utilizamos, não apenas para as nossas comunicações interpessoais, mas também para nos atualizarmos com as notícias do dia, consultar a previsão do tempo, verificar qual a melhor rota para irmos de casa ao trabalho", ilustrou. "Cada dia mais o desempenho das nossas tarefas mais rotineiras depende do uso de dispositivos conectados."



Fauth enfatizou a necessidade do uso de ferramentas de TICs e da internet pelo Estado, para "otimizar o funcionamento da máquina pública, tornando-a mais eficiente e demandando menos recursos, cada vez mais escassos no nosso orçamento, para a prestação de serviços à sociedade, ferramentas de governo eletrônico, e para assegurar, não só o bom andamento, como o acompanhamento dos resultados das políticas públicas".



Instrumentos



O coordenador-geral de Serviços Tecnológicos, Jorge Campagnolo, convidou empresas alemãs a aproveitarem os recursos da Plataforma iTec e anunciou que MCTI e AHK negociam uma parceria em torno da iniciativa. "Trata-se de um meio virtual de aproximação de desafios tecnológicos de empresas com soluções de universidades e institutos de pesquisa", detalhou. "A ferramenta tem uma dinâmica que vai além da parte virtual, com rodadas de negócios itinerantes e periódicas, exatamente para não ficar apenas na aproximação pela internet e promover contatos presenciais."



Campagnolo apresentou aspectos da Lei do Bem, "que dá incentivos fiscais a empresas que desenvolvem projetos de pesquisa e desenvolvimento, independentemente da área, que, portanto, pode ser segurança digital"; e da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), ao rememorar que a organização social teve como modelo a Sociedade Fraunhofer, da Alemanha.


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