Brasília, 18 de fevereiro de 2019 - 12h44

Desenvolvimento Tecnológico

18 de abril de 2012
por: InfoRel
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Brasília - Os ministros da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e da Argentina, Arturo Puricelli, irão aprofundar a cooperação bilateral em matéria de Defesa e ampliar as parcerias nos campos tecnológico, industrial e político. Os dois se reuniram nesta terça-feira, 17, em Brasília.



Na oportunidade, também reiteraram a importância do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), como principal foro de atuação estratégica para a consolidação da América do Sul como zona de paz.



Os dois ministros concordaram que esta é a melhor alternativa para que a região coloque a serviço dos seus habitantes, os recursos naturais da América do Sul.



"Hoje, a expressão ‘aliança estratégica´ transformou-se num lugar comum, mas devo ressaltar que a relação com a Argentina é diferente. Temos a mais estratégica de todas as relações. Graças a isso, pudemos construir mecanismos bilaterais como a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares, que poderia servir de modelo para outros países", afirmou Celso Amorim.



Ele lembrou ainda a importância dos dois países para forjar a integração do subcontinente: "Quando vemos a UNASUL, esquecemos que o ponto de partida foi a decisão argentino-brasileira de desenvolver uma aliança econômica e política por meio do Mercosul", explicou.



Para Arturo Puricelli a velha ordem interamericana necessita ser revista por meio da construção de novos mecanismos multilaterais. O ministro argentino recordou que muitos organismos internacionais nasceram na época da Guerra Fria, no espírito das décadas de 1950 e 60, que não mais refletem a realidade atual.



Na sua opinião, a solução passa por um reforço da UNASUL e da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas). "Acreditamos num Hemisfério Sul livre da ameaça de armas nucleares", afirmou.



Segundo Celso Amorim, "a prioridade deve ser a UNASUL e não a Conferência dos Ministros de Defesa das Américas". Este foro reúne representantes de todos os países da OEA. "É preciso cooperar com a América do Norte e a Europa, mas devemos priorizar a participação e a integração de nossos países", defendeu Amorim.



Antártica



O ministro da Defesa da Argentina ofereceu apoio para a continuidade da pesquisa brasileira na Antártica, afetada por um incêndio que destruiu a Estação Comandante Ferraz. "Temos uma base na mesma ilha e podemos disponibilizar algum espaço para seus pesquisadores", ressaltou.



Celso Amorim agradeceu a oferta e lembrou que um navio argentino foi fundamental no resgate de pesquisadores e marinheiros da instalação destruída.



Cooperação



Os dois ministros também discutiram o aprofundamento da cooperação técnica e Arturo Puricelli demonstrou interesse na aquisição do míssil ar-ar A-Darter, desenvolvido em parceria com a África do Sul.



Também propôs uma ação conjunta para a modernização de mísseis antinavios Exocet MM-38 e MM-40. "Já desenvolvemos este trabalho, mas sabemos que realizam algo nesse sentido, que gostaríamos de conhecer", afirmou.



De acordo com o ministério de Defesa, entre as propostas de cooperação bilateral, o ministro argentino sugeriu o desenvolvimento de um avião de treinamento primário, projeto já em andamento no âmbito do CDS, e de um veículo aéreo não-tripulado, "que poderia ser adotado como padrão por todos os países da América do Sul".



Além disso, Brasil e Argentina pretendem desenvolver satélites de comunicação, a viatura de transporte de tropas Guarani, o Gaúcho (um veículo leve de projeto binacional para uso de forças especiais) e a defesa cibernética.



Celso Amorim e Arturo Puricelli assinaram ainda os Termos de Referência do Mecanismo de Diálogo Político-Estratégico (em nível de vice-ministros), que se reunirá em Buenos Aires entre os dias 23 e 27 de abril



Nesta quarta-feira, 18, a comitiva argentina visita a Embraer e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), em São José dos Campos (SP).