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Brasil e Argentina distensionam o ambiente e MERCOSUL ganha força

Brasil e Argentina distensionam o ambiente e MERCOSUL ganha força

13 de fevereiro de 2020 - 10:59:41
por: Marcelo Rech
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Brasília – Brasil e Argentina distencionaram o ambiente das relações bilaterais nesta quarta-feira, 12, em reuniões do ministro das Relações Exteriores, Comércio Internacional e Culto da Argentina, Felipe Solá com o seu par brasileiro Ernesto Araújo e o presidente Jair Bolsonaro.

Solá, acompanhado do futuro Embaixador argentino no Brasil, Daniel Scioli, afirmou que o seu país quer uma relação construtiva, não irá criar problemas para o MERCOSUL e pediu a ajuda do Brasil para que a Argentina possa renegociar a sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

“A missão que lidero tem como objetivo discutir o MERCOSUL e a agenda bilateral e outros temas, em uma conversa franca. Tem também a responsabilidade e o propósito de esclarecer o estado das coisas do atual governo argentino”, adiantou Solá, ainda no Itamaraty. Solá destacou a gravidade da situação econômica argentina e afirmou que o país é obrigado a lidar com uma “dívida externa absurda baseada em um sistema cambial irresponsável”, disse.

Ernesto Araújo é um dos que defendem uma mudança de postura do Brasil em relação à Argentina. Na sua avaliação, o Brasil deve ajudar os vizinhos argentinos, algo que o seu colega, Paulo Guedes, rejeita. Araújo afirmou que o Brasil tem “convicção e expectativa” de contar com a parceria da Argentina em temas essenciais para o projeto de consolidação do MERCOSUL como plataforma de inserção na economia internacional. O ministro da Economia também não esconde a sua indiferença pelo bloco sul-americano.

Por outro lado, o pedido de socorro da Argentina representa, de acordo com diplomatas brasileiros, uma oportunidade de fazer o bloco avançar. Havia dúvida quanto ao apoio do presidente argentino, Alberto Fernández à ratificação do Tratado de Livre Comércio MERCOSUL – União Europeia. Felipe Solá deixou claro que a Argentina apoia as negociações em curso e apoiará outras iniciativas que tornem o MERCOSUL ainda mais atrativo.

“Temos interesse comercial de nos posicionarmos como polo de crescimento econômico; na determinação de trabalhar pela democracia na nossa região e na dimensão da segurança e combate ao crime organizado”, explicou Ernesto Araújo.

Para o Brasil, a decisão da Argentina de manter-se no Grupo de Lima, também contribuirá para uma melhoria nas relações bilaterais. Apesar das divergências em relação à crise na Venezuela, agrada ao Brasil as recentes posições do governo argentino contrárias ao regime de Nicolás Maduro. Felipe Solá confirmou presença na próxima reunião de chanceleres do Grupo de Lima, a ser realizada no dia 20 no Canadá.