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Brasil e Bolívia divergem em relação a projetos hidroelétricos

Brasília – No ano passado, o governo brasileiro decidiu suspender a execução dos projetos hidroelétricos na Amazônia por conta dos danos socioambientais. Na contramão desta decisão, o presidente da Bolívia, Evo Morales, quer acelerar os megaprojetos nacionais com o objetivo de gerar 6 mil megawatts de energia até 2025.

De acordo com analistas do setor energético, a construção das hidroelétricas de Chapete – El Bala, a Binacional Rio Madeira e Cachuela Esperanza, projetados para exportar energia para o Brasil, gerarão uma dependência econômica com esse mercado.

Em 2016, o ministro de Hidrocarbonetos e Energia, da Bolívia, Luis Alberto Sánchez, informou que o governo desenvolverá 21 projetos hidroelétricos em todo o país, com a perspectiva de gerar 10,9 mil megawatts de energia, o que implicará um investimento de US$ 25,4 bilhões.

No dia 4, o Secretário-Executivo do ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, explicou que o Brasil está modificando a sua política em relação às hidroelétricas na Amazônia por conta dos impactos sociais e ambientas. Segundo ele, “não temos preconceito contra os grandes projetos, mas temos que respeitar as visões que tem a sociedade sobre eles, e isso implica em restrições”, afirmou.

Ele adiantou ainda que o Brasil abandonará a construção da hidroelétrica de São Luiz do Tapajós, que inundaria parte da reserva indígena de Munduruku. “Não estamos dispostos a levar a cabo ações que mascarem os custos e riscos dos projetos hidroelétricos”, destacou.

Por outro lado, o presidente Evo Morales, assegurou no dia 22, em seu discurso na Assembléia Nacional, que a Bolívia tem como desafio converter-se no centro energético sul-americano. Ele também minimizou as reações contrárias às obras do megaprojeto de Chepete – El Bala que custará mais de US$ 6 bilhões e garantiu a sua conclusão.

No entanto, a decisão do líder boliviano poderá esbarrar em restrições por parte da Comissão Mundial de Represas, vinculada ao Banco Mundial. Sua principal pesquisadora da Plataforma Energética, Silvia Molina, advertiu no ano 2000 sobre os impactos das grandes centrais hidroelétricas nas florestas tropicais e Amazônia, como inundações, deslocamentos forçados y segregação de povos indígenas.

Para o diretor da Fundação Solón, Pablo Solón, “não se pode entender por que se o Brasil está abandonando os megaprojetos que não seriam competitivos, nós como Bolívia estaríamos fazendo exatamente o contrário”.

Já o presidente da Empresa Nacional de Eletricidade (ENDE), Joaquín Rodríguez, estimou que a Bolívia tem potencial para gerar mais de 40 mil megawatts de energia.

A obra da hidroelétrica binacional do Rio Madeira está orçada em US$ 3.7 bilhões e poderá gerar três mil megawatts de energia. Já a de Cachuela Esperanza, custará cerca de US$ 2.5 bilhões com potencial de gerar 990 megawatts.

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