Brasília, 07 de dezembro de 2019 - 00h29
Brasil e China assinam acordos comerciais e políticos e consolidam Parceria Estratégica

Brasil e China assinam acordos comerciais e políticos e consolidam Parceria Estratégica

13 de novembro de 2019 - 15:46:47
por: Marcelo Rech
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Brasília – Contrariando todas as expectativas, Brasil e China assinaram nesta quarta-feira, 13, acordos e memorandos de entendimento nas áreas de política, economia, comércio, agricultura, inspeção sanitária, transporte, saúde e cultura. Após encontro com o líder chinês Xi Jinping, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que “essa relação bilateral em várias áreas, inclusive com aceno do governo chinês em agregar valor naquilo que nós produzimos, tudo isso é muito bem-vindo”.

Para vários analistas e políticos de oposição, as crises na Bolívia, Chile e Venezuela e as divergências de posicionamento entre o Brasil e a China quanto a elas, deixaria o ambiente pesado demais para que os dois países avançassem no relacionamento bilateral. O que se viu no Itamaraty foram dois presidentes extremamente otimistas com essa parceria.

Xi Jinping participa, em Brasília, da 11ª Cúpula dos BRICS. Nesta manhã, ele se reuniu com Bolsonaro para dar continuidade à agenda bilateral que tem avançado rapidamente desde setembro quando a ministra da Agricultura e Abastecimento, Tereza Cristina, visitou aquele país. Em outubro, os dois presidentes se encontraram em Pequim.

Na área de Agricultura, foram assinados protocolos sanitários para exportação de pera da China ao Brasil e de melão do Brasil para a China. Também foi firmado um plano de ação na área de agricultura, de 2019 a 2023, nas áreas de políticas agrícolas; inovação científica e tecnológica; investimento agrícola; comércio agrícola; entre outras.

Brasil e China assinaram ainda, na área de transportes, memorando de entendimento para o compartilhamento de boas práticas, políticas públicas e estratégias para o seu desenvolvimento. O tema é considerado uma prioridade para o Brasil e o governo entende que é possível o Brasil beneficiar-se da experiência chinesa, considerando que a China é uma das líderes mundiais no setor.

Já o Ministério da Saúde e a Administração Nacional de Medicina Tradicional Chinesa também pretendem estabelecer cooperação ampla no campo de saúde, com foco em medicina tradicional, complementar e integrada. De acordo com o Itamaraty, as Práticas Integrativas e Complementares são tratamentos que utilizam recursos terapêuticos baseados em conhecimentos tradicionais, voltados para prevenir diversas doenças como depressão e hipertensão e, em muitos casos, também são usadas como tratamentos paliativos em algumas doenças crônicas.

Os dois países coincidiram também em criar um ambiente favorável para o comércio e investimento no setor de serviços e encorajar o investimento do setor privado. Neste sentido, assinaram acordo para criar uma plataforma de intercâmbio de informações e cooperação com o objetivo de estimular os investimentos nas duas direções. A China é uma das principais origens de Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs) no Brasil, que se concentraram nas áreas de energia (geração e transmissão elétrica, além de óleo e gás) e infraestrutura (portuária e ferroviária).

Na área jurídica, os dois países firmaram tratado que permitirá a transferência de pessoas condenadas para o território do outro país. Nesse caso, cumpridos certos requisitos, brasileiros condenados na China poderão cumprir a pena no Brasil e vice-versa.

Já o Ministério da Cidadania e o China Media Group (CMG) irão promover o intercâmbio de filmes e programas televisivos, bem como festivais de cinema brasileiro na China e festivais de cinema chinês no Brasil. Pretende-se, ainda, iniciar conversas sobre a possibilidade de se estabelecer um canal de televisão por assinatura dedicado exclusivamente a programas e filmes sino-brasileiros.

Otimismo

Ao lado do presidente da China, Jair Bolsonaro assegurou que o governo brasileiro e o empresariado estão conscientes da importância em ampliar e diversificar o comércio com a China. Na sua avaliação, os acordos que têm sido firmados desde setembro, dão forte impulso ao relacionamento bilateral.

Na mesma direção, Xi Jinping considerou positivos os esforços do Brasil para prover um maior desenvolvimento socioeconômico do país e garantiu que a China quer participar deste processo, fortalecer a amizade e a cooperação, e ampliar e melhorar o comércio e os investimentos no país.

Ele revelou que Brasil e China irão intensificar os contatos de alto nível a partir da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN) e de outros mecanismos bilaterais. Pequim, de forma pragmática, quer tirar proveito de tudo aquilo que une os dois países. Neste sentido, as duas prioridades são o Programa de Parceria de Investimento (PPI) do Brasil e a Iniciativa do Cinturão e da Rota da China.

Xi Jinping considera Brasil e China os maiores mercados emergentes do mundo que devem trabalhar em conjunto, principalmente neste momento em que as mudanças no comércio global são grandes. Além disso, ele entende que os dois países devem empenhar-se para que a Cúpula dos BRICS seja concluída com resultados tangíveis, capaz de consolidar a parceria estratégica e o apoio ao multilateralismo, a equidade e a justiça internacional.

A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2018, o fluxo de comércio entre os dois países alcançou a marca de US$ 98,9 bilhões. O país asiático também é um dos principais investidores em áreas cruciais, como infraestrutura e energia.