Brasília, 08 de julho de 2020 - 11h13
Brasil e EUA têm “virada de página”, afirma Embaixador brasileiro

Brasil e EUA têm “virada de página”, afirma Embaixador brasileiro

13 de fevereiro de 2020 - 16:43:47
por: Marcelo Rech
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Brasília – O Embaixador Nestor José Forster Junior, sabatinado nesta quinta-feira, 134, pela Comissão de Relações Exteriores, teve seu nome aprovado por unanimidade para assumir o cargo de Embaixador do Brasil nos Estados Unidos, onde já responde como Encarregado de Negócios. Durante os debates, ele considerou a visita do presidente Jair Bolsonaro a Washington, em março do ano passado, uma “virada de página” nas relações bilaterais.

Segundo Forster, foi a partir daquele momento, que os Estados Unidos reconheceram o pleito do Brasil para ingressar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), do qual faz parte da estratégia, a retirada do Brasil da lista dos países em desenvolvimento, como uma forma de acesso, no futuro, à organização, que é composta por 36 países.

Forster também afirmou que há perspectiva de aumento da cooperação na área militar e de defesa, uma vez que o Brasil é reconhecido como aliado preferencial extra-OTAN. Ele entende que será um desafio para a Embaixada do Brasil, aprofundar a cooperação científica, tecnológica e espacial “porque o Brasil está sendo convidado a integrar importantes projetos em centros de pesquisa norte-americanos”.

O diplomata destacou ainda como resultado da visita de Bolsonaro a assinatura do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas, já ratificado pelo Congresso e a cooperação bilateral em construção para o uso do Centro de Lançamentos de Alcântara.

“Depois de 20 anos, pudemos finalmente concluir o acordo, e isso dependeu em boa parte da celeridade com que o Congresso o aprovou, abrindo as portas para uma nova etapa de cooperação científica e tecnológica, especialmente na área espacial. O potencial de Alcântara é enorme. Nós temos já uma demanda grande no setor de promoção comercial da embaixada de empresas que estão fazendo fila já para serem as primeiras a usar a Base de Alcântara”, afirmou.

De acordo com Nestor Forster, há discussão sobre o uso de nanossatélites, que são pequenas cargas, satélites de 1kg, de baixo custo de lançamento, e que têm o potencial de aplicação, inclusive com relação a temas na área ambiental.

Diplomacia parlamentar

Sobre o papel do Legislativo nas relações bilaterais, Forster se disse favorável a um intercâmbio maior com os deputados e senadores norte-americanos. “Temos um espaço enorme para a diplomacia parlamentar, para aumentar o diálogo entre os Legislativos dos dois países. A diplomacia entre os países não deve se limitar a conversas entre os servidores do Executivo. É preciso avançar além da troca de informações sobre os projetos de lei e troca de experiências entre os parlamentares”, defendeu.

Forster sugeriu convidar os parlamentares dos Estados Unidos para conhecer a realidade da Amazônia, separando mitos ou fake news e enfrentando os temas com realismo. Para exemplificar, disse que as queimadas do ano passado estavam dentro da média histórica e menor que a de anos como 2010, 2007 e 2005.  

“Nosso trabalho é esclarecer certos exageros, desfazer a fumaça. Mostrar que o governo brasileiro continua comprometido com o desenvolvimento sustentável, mas existem duas pernas, uma delas é a sustentabilidade e o meio ambiente, mas há também o desenvolvimento econômico”, advertiu ao dizer que não é possível aos cerca de 25 milhões de brasileiros que vivem na região amazônica serem relegados ao extrativismo. “Queremos que essas pessoas melhorem a qualidade de vida com acesso aos serviços públicos e ao desenvolvimento”, concluiu.

Agenda

Nestor Forster recordou que em 2019, os maiores CEOs dos Estados Unidos e do Brasil se aproximaram e lembrou que foi lançado o programa de simplificação de entrada nos aeroportos conhecido como Global Entry para os brasileiros e norte-americanos que viajam frequentemente para negócios e pesquisas, por exemplo. 

Também destacou os resultados do programa de isenção de vistos para os norte-americanos que aumentou em 15% o número de turistas dos Estados Unidos no Brasil, implementando o emprego e a renda das áreas que os receberam.

Ainda de acordo com o diplomata, há atualmente cerca de 1,3 milhão de brasileiros vivendo nos Estados Unidos e “as autoridades norte-americanas têm apreço por essa comunidade que é ordeira e trabalhadora e que contribui para a economia local”. Forster apontou, contudo, um aumento exponencial no número de deportados, cerca de 18 mil em 2019, 10 vezes maior que o registrado no ano anterior.

Segundo ele, “investigações policiais mostraram que organizações criminosas de imigração ilegal que atuavam na América Central se redirecionaram para a América do Sul para levarem famílias. Estamos acompanhando de perto o processo de cada um e, geralmente, eles mesmos pedem para voltar, afinal ninguém quer esperar preso a um processo que provavelmente lhe será desfavorável”, esclareceu.