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04/04/2005
Diplomacia
04/04/2005

Guerrilhas

Brasil e México devem mediar conflito colombiano

A Colômbia vê com otimismo a possibilidade de Brasil e México envolverem-se na mediação para que haja um diálogo entre as guerrilhas do país e o governo do presidente Álvaro Uribe.

O assunto foi tratado durante a cúpula que reuniu em Ciudad Guyana, na Venezuela, os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Álvaro Uribe e Hugo Chávez, e o primeiro-ministro espanhol José Luiz Rodriguez Zapatero.

Foi nesse encontro que Lula falou pela primeira vez sobre as denúncias de que haveria recebido doações para a sua campanha em 2002, vindos da Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia [Farc].

O assunto continua preocupando vários segmentos políticos que desejam ouvir os agentes que teriam trabalhado, em nome da Agência Brasileira de Inteligência [Abin], nessa suposta operação.

Na semana passada, um grupo de deputados brasileiros do PT, que integram a Confederação Parlamentar das Américas [COPA], não aceitou firmar uma moção de repúdio às Farc, intitulada ‘narcoguerrilha’, e condenando o seqüestro da senadora colombiana Ingrid Betancourt, que já dura três anos.

Segundo versões do governo colombiano, a atuação do Brasil seria junto às Farc, enquanto o México mediaria à trégua com o Exército de Libertação Nacional [ELN]. O próprio presidente Álvaro Uribe confirmou que a oferta pela mediação teria sido feita pelo presidente brasileiro, “reiteradas vezes, desde que a Colômbia aceitasse”.

O governo colombiano já aceitou a mediação por parte das Nações Unidas, da Igreja Católica, Suíça, Espanha e França, e que a incorporação de Brasil e México nesse esforço, seria muito bem-vindo.

Raúl Reyes, um dos principais líderes das Farc propôs a criação de um grupo de amigos para permitir o diálogo e o fim dos conflitos na Colômbia, que duram mais de quatro décadas. Ele considera a participação do Brasil como decisiva para o êxito dos esforços.

O Exército de Libertação Nacional apresentou uma proposta para que o diálogo com o governo colombiano seja iniciado em território mexicano. O governo de Vicente Fox, inclusive, já nomeou o embaixador Andrés Valencia, para atuar como negociador entre os representantes do governo da Colômbia e do ELN.

Álvaro Uribe também reconheceu que a Venezuela está cooperando para evitar que as Farc atuem naquele território. No início do ano, os dois países quase romperam as relações diplomáticas por conta do seqüestro de um guerrilheiro colombiano em Caracas.

Segundo fontes ligadas ao governo brasileiro, o professor Marco Aurélio Garcia, assessor internacional da Presidência, é o nome mais forte para negociar o diálogo entre as Farc e o governo de Uribe.

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